Porto Velho (RO) domingo, 15 de março de 2026
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A felicidade mora é aqui


 

Professor Nazareno*

Outro dia ouvi falar que o país mais feliz do mundo é a Dinamarca. Lá, a qualidade de vida é uma das mais altas que se conhece e a desigualdade social é quase inexistente, segundo o Coeficiente de Gini. Os serviços públicos funcionam perfeitamente, quase não há violência entre os dinamarqueses, o sistema de saúde é fenomenal, o sistema de educação, quase toda pública, é um dos melhores do planeta e a grande maioria da população vive feliz. Não conheço a realidade daquele país escandinavo, mas discordo da maioria destes indicadores. O país cuja população é a mais feliz do mundo é o Brasil com toda a certeza. Só o fato de este país ser administrado há quase duas décadas pelo PT, o Partido dos Trabalhadores, e apoiado pelo PMDB, já dá a ideia aproximada do alto nível de felicidade do brasileiro comum.

É na Dinamarca que existem duas ou três semanas de Carnaval todo ano? Eles têm o Carnaval fora de época? Eles dançam BOI? Lá existem bandas como uma de Porto Velho que coloca “orgulhosamente” quase metade da população de uma capital nas ruas? Neste país de boa qualidade de vida se distribui, como no Brasil, bebida alcoólica e outras drogas para o povo se divertir e ainda chamam esta aberração de cultura? Quantos feriados anualmente, por exemplo, existem nesta tal de Dinamarca? O sistema de saúde deste país escandinavo coloca “açougues” para atender à feliz e alegre população?Algum desinformado e pessimista vai dizer que lá, o sistema político funciona perfeitamente e que todos os políticos do país trabalham em beneficio do povo, que paga altas taxas de imposto. Aqui também se pagam muitos tributos, ora.

Diferente do dinamarquês, o brasileiro quase sempre só vive rindo. Com sua imunda boca onde “metade dos dentes estão podres e a outra metade fede à bosta”, a maioria dos cidadãos daqui leva uma vida de hiena: comem carniça e riem. Muitos têm a síndrome da galinha choca: bota um ovo enorme, se rasga toda e ainda sai cantando alegre e feliz. No Brasil, povo e político vivem uma eterna simbiose de felicidade: um rouba, o outro é roubado e os dois acham que vivem no paraíso. Existe coisa mais feliz do que o nosso sistema de educação? Os nossos alunos só precisam de meio turno para estudar enquanto lá na “terra da felicidade” os jovens passam o dia na escola e quase não têm tempo para se divertir. Os dinamarqueses já ganharam 15 vezes o Prêmio Nobel e tiveram a maçada de dar entrevistas. Nós nos livramos desta tolice sem lógica.

A ponte do Öresund é linda. Liga o país à Suécia, tem 13 quilômetros, durante a noite é clara feito o dia, mas muitos falam mal dela: é muito difícil se suicidar lá. Como pode um país ser o mais feliz do mundo se os políticos não usam obras inacabadas para se eleger como os viadutos e o Espaço Alternativo de Porto Velho? Não é um horror viver num lugar assim? Dizem que os políticos de lá ganham muito pouco, trabalham feito condenados e vivem uma vida como a de qualquer outro cidadão. Dengue, Zika, Chikungunya e Microcefalia nem existem por lá e por isso mesmo ninguém pode falsificar atestados médicos. Um país onde a violência é quase zero e as cadeias estão sendo fechadas por falta de presidiários pode levar os policiais ao desemprego. Deus me livre morar num lugar onde a corrupção não existe. Vamos assistir a que tipo de noticiário? E como os políticos vão comprar a mídia fascista para se reelegerem? Não!
 

*É Professor em Porto Velho.

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