Domingo, 1 de fevereiro de 2015 - 14h47
Por Humberto Pinho da Silva
Quando a conheci teria talvez uns doze anos. Andava modestamente vestida. Era magra e de estatura meã. Tinha o rosto moreno, cor de terra, faces sulcadas de rugas, e olhos castanhos, encovados, tristes, baços.
Arrastava desbotadas chinelas vermelhas, de corda, pelas ruas de Santa Marinha (Gaia), com saco de serapilheira ao ombro, a recolher papel, que vendia ao farrapeiro, que havia na rua de General Torres, perto da fábrica de louça da Torrinha.
Era caseira de minha mãe. Pagava pela casa, que valia várias dezenas, se não centenas, apenas vinte escudos!
Minha mãe gostava muito dela. Certa vez disse-lhe a medo, não fosse melindra-la: que podia residir na casa de graça.
Agradeceu, mas declarou emocionada:
- Posso pagar o aluguer…Enquanto tiver saúde, com a ajuda de Deus, hei-de sempre cumprir as minhas obrigações.
Todos os meses, logo no início, lá vinha a senhora Maria, com a nota verde de vinte escudos, para “ cumprir a sua obrigação”
Um dia minha mãe caiu gravemente doente. Após meses de calvário, que a levou à cegueira e a dores lancinantes, viria a falecer numa manhã fria, mas solarenga, de Novembro.
O quarto encheu-se de coroas e palmas, de vistosas e caras flores. Cada uma trazia cartão com duas palavras escritas à mão: “Sentidos Pesamos”
Quando meu pai, de olhos humedecidos, ainda bastante pesaroso, foi recolher os cartões, que estavam sobre a salva de prata, encontrou, entre eles, um, que apenas dizia: “Da Senhora Maria”.
As lágrimas escorreram-lhe dos olhos. A pobre mulher, que nessa ocasião era velhinha, e ainda mais pobre do que sempre fora, do pouco que tinha - quiçá do que amealhara para adquirir medicamentos, - não se esqueceu de ofertar palma, simples, mas bem demonstrativa da sua gratidão.
Sentimento - tão apreciado, - mas que anda tão esquecido, nesta sociedade consumista e egoísta, em que vivemos.
A senhora Maria, como a pobre viúva do templo, deu mais que muitos empresários e importantes doutores, que estiveram presentes no cortejo fúnebre.
É que estes deram o que lhes sobejava, ela o que lhe fazia falta para a sua sobrevivência.
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