Segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026 - 08h31

A sociedade brasileira
é uma das mais injustas do mundo quando o assunto é política econômica. Aqui se
tem uma das maiores desigualdades sociais que se conhece. E isso vem desde os
tempos coloniais passando pelo Império e desaguando na República. O economista
Edmar Bacha disse que somos uma espécie de Belíndia, uma mistura de
Bélgica com a Índia. O nosso PIB figura entre os dez maiores do mundo há mais
de meio século, mas a pobreza e a miséria nos acompanham desde sempre. Em todos
os 5.569 municípios do país há muita riqueza e prosperidade convivendo ao lado
de famintos e de despossuídos. Por isso, mais recentemente, os governos, tanto
os de direita, de extrema-direita e principalmente os de esquerda tentam
reequilibrar essa triste situação criando programas sociais para diminuir a
fome que convive com muitas famílias em todo o país.
Claro que quem é rico e abastado e milita na
extrema-direita reacionária é contra esses programas sociais, pois alegam que é
uma maneira de o “governo do momento” comprar votos,
principalmente dos pobres e miseráveis. E não deixa de ser uma grande verdade,
infelizmente. Gilmar Mendes, ministro do STF, já afirmou isso. Vários políticos
já se manifestaram favoravelmente a esse respeito, inclusive o ex-presidente
Bolsonaro. Só que o “Mito” governou o país por quatro anos entre 2019 e
2022 e não acabou com nenhum desse programas. Aliás, ele até deu uma turbinada
nessas “mamatas sociais” aumentando o número de famílias
beneficiadas. E durante muitos séculos ainda, o país vai ter que conviver com
essas ajudas oficiais para as famílias pobres. Com medo de perder votos e
popularidade, nenhum candidato teria a coragem de cortar esses benefícios.
Hoje o governo federal tem mais de vinte desses projetos
sociais destinados às famílias pobres e miseráveis do país. Bolsa Família, BPC,
Programa Leite das Crianças, Tarifa Social de Energia Elétrica, Isenção de
Taxas em concursos públicos, Tarifa Social de Água, Programas habitacionais
como o Minha Casa, Minha Vida, Farmácia Popular, o Mais Médicos, dentre muitos
outros. O último foi o Vale Gás. Muitos políticos de direita e de
extrema-direita principalmente são contra esses programas sociais, mas quase
nenhum deles assume publicamente a sua posição. Muitos eleitores ricos e
privilegiados também falam mal, mas não veem o outro lado do fato. Muitos só
falam assim porque esses programas beneficiam principalmente os mais pobres.
Mas há também muitos outros benefícios dados à elite e aos poderosos e ricos
cidadãos do país. Aí todos se calam!
Por que ninguém fala
dos privilégios tributários (Renúncia Fiscal) para grandes empresas e
indivíduos de alta renda? Por que ninguém fala da isenção fiscal que as Igrejas
têm? Nunca ouvi ninguém falar dos Incentivos Fiscais aos empresários nem do Plano
Safra que “desvia” para o agronegócio cinco vezes mais do que o Bolsa
Família. E a pensão das filhas de militares, é legal? E a Lei Kandir, que
isenta pagamento de impostos na exportação de commodities? E o Fundo
Partidário, quanto essa excrescência suga do governo? E os salários no serviço
público? O Brasil tem hoje 5.569 prefeitos e igual número de vice-prefeitos. Há
exatos 58.432 vereadores. Há no país 1.059 deputados estaduais. São 513
deputados federais e 81 senadores. E todos esses políticos têm inúmeros
servidores pagos por nós. E os penduricalhos nos altos salários? Um juiz tem até
auxílio-moradia e outras mordomias. Por que só o pobre é que não pode ter
nada?
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