Segunda-feira, 17 de março de 2014 - 12h02
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Professor Nazareno*
A arte de se construir hidrelétricas no Brasil sempre foi uma das ações prediletas de grande parte das classes empresarial e dirigente do país. Tem sido melhor e mais rentável até do que construir estádios de futebol para a Copa do Mundo. Na Amazônia, é uma tarefa mais fácil ainda. Em Porto Velho, nem se fala. É como roubar pirulito de crianças. Primeiro, se escolhe o local dito adequado ou mais precisamente o rio que será a grande vítima da ganância empresarial. Os passos seguintes são bem mais fáceis de levar adiante visto que, a partir da escolha inicial, apenas se lidam com seres humanos e no nosso caso como se trata de brasileiros, a tarefa deslancha sem nenhum problema. O mais importante como sempre são os fins. E independente de qualquer coisa ou pessoa, a selvageria do capitalismo vai estar presente, pois há muito dinheiro em jogo.
Por mais que sejam óbvios, previsíveis e inevitáveis, os prejuízos causados ao meio ambiente local serão sempre mitigados. E há tecnologia de sobra para se esconder a verdade. No começo, é até normal que haja falatórios, algumas pessoas contra os empreendimentos, ONGs de ambientalistas e talvez uns dois ou três eco xiitas, mas tudo será facilmente explicado e grande parte da população atingida aplaudirá e defenderá “com unhas e dentes” a chegada do progresso à sua atrasada e inóspita localidade. E tudo é milimetricamente bem dosado para enganar os trouxas. Primeiro os jovens: não há Shopping Center na cidade mais próxima das construções? Com as hidrelétricas haverá um dos mais modernos. E outros virão em seguida. A rapaziada fica em êxtase. Aos funcionários públicos se oferecem isonomia e transposição que nunca acontecerão.
Profissionais liberais e toda a classe média, felizes, recebem lindos adesivos de “usinas já” para colocar em seus carros e casas. A mídia local, como sempre, é facilmente comprada para divulgar as benesses da obra. Já a classe política, mais suja do que pau de galinheiro, por concordar com tudo, se alia aos donos dos empreendimentos e por isso ganha presentes como assistir ao Carnaval na Marquês de Sapucaí dentre outros mimos. Em caso de “inesperadas” enchentes, culpa-se São Pedro e pronto. Da Presidente da República aos mais humildes (e tolos) cidadãos, todos isentarão as usinas pela catástrofe anunciada. Até as estradas alagadas, construídas com o nível mais baixo do que o das barragens, passarão despercebidas.“Hidrelétricas não produzem água, mas ao represá-la potencializam qualquer enchente provocando alagações fatais”.
A jusante das usinas, qualquer rio pode ser assoreado facilmente pelas absurdas explosões sem controle. E num curso de água rico em sedimentos a coisa fica mais óbvia ainda. Rios geologicamente novos não têm leito definido e por isso estão sujeitos a grandes e colossais desastres ambientais, mas tudo será profissionalmente muito bem escondido de todos, pois ninguém vai mergulhar para comprovar qualquer fato. E se pessoas forem expulsas de suas casas por causa de possíveis enchentes, também não haverá problemas: todos são pobres e se contentarão facilmente com míseras cestas básicas. Por isso, não há nada melhor do que ganhar rios de dinheiro público e ainda receber a compreensão e a desculpa de todos. Sem Carnaval e com a pseudo calamidade pública garantida, só resta esperar as eleições para contar a fatura.
*É Professor em Porto Velho.
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