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A litorina é só um aperitivo! - Nós queremos é o trem andando novamente!


A litorina é só um aperitivo! - Nós queremos é o trem andando novamente! - Gente de Opinião

A Litorina percorre apenas dois quilômetros e 300 metros de um curto segmento da histórica Estrada de Ferro Madeira-Mamoré! De repente, em meio ao balanço desengonçado daquela máquina e a ansiedade dos quinze passageiros que compõem a lotação, o condutor faz cessar o passeio e chama atenção dos passageiros para o popularmente chamado Casarão dos Ingleses. Não há inglês nenhum, nunca teve! Os poucos que vieram ficaram pouco tempo e saíram correndo com medo do carapanã e das visagens. 

Litorina em funcionamento no pátio da EFMM em Porto Velho (RO) - Gente de Opinião
Litorina em funcionamento no pátio da EFMM em Porto Velho (RO)

O piloto da Litorina é uma figura comunicativa! Por isso, vendo que todos têm os olhos fixos na sua pessoa, ele despacha um texto improvisado: Olha, gente, ali é o Casarão dos Ingleses. Mas não tem nada a ver com ingleses, não! O Casarão foi construído por um boliviano chamado Nícolas Soares, que construiu o casarão para hospedar as pessoas do mundo inteiro que vinham fazer compras aqui; ele vendia borracha, castanhas e essências retiradas das árvores para fazer perfumes; foi o homem mais rico desta região, dizem que doou um vagão cheio de libra esterlina para a construção da EFMM; em 1912, quando fica pronta a estrada, Nícolas Soares doou o casarão para a direção da estrada para servir de estação. Mas, por ficar longe, fizeram outra estação e no casarão ficou morando um feitor, Antônio Feitoza, que morou no Casarão até 1972, quando a estrada foi extinta. Antônio Feitoza foi embora e vendeu o direito de posse do Casarão pra uma pessoa, que repassou para outra. Hoje o Casarão pertence ao consórcio Santo Antônio. Nós trouxemos gente do governo de RO aí no casarão; o governo requereu o Casarão para que nós fizéssemos aí o nosso Museu do Ferroviário, com lanchonete e cafezinho, onde a pessoas possam saber um pouco da história da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.

Com exceção do motor, das luminárias e do forro, tudo é original; ela é uma máquina da época da inauguração da Madeira-Mamoré; ela chegou aqui em 1932 pra carregar os engenheiros da ferrovia. Diz Moisés que, iniciaram esse resgate, que foi ali onde está a estação, ele e o Bispo contavam com o trabalho dois reeducandos; logo depois conseguiram mais quatro e a prefeitura cedeu mais cinco homens para fazer o trabalho de limpeza dos trilhos; logo depois chegou Alex Palitot.

Moisés está na EFMM desde de 1982; trabalhou com a velha guarda. O pai foi seringueiro e quando saiu do seringal veio pra cidade pra trabalhar como estivador, chamava-se. Moisés Ferreira Neto.

Antônio Moisés conduz com altivez a Litorina! E lembra que o mais interessante é que sua vida cruzou com a vida de Seu Raimundo Nicanor, o velho condutor daquela unidade móvel. Um dia ele teria dito: "Moisés, preciso ensinar alguém a pilotar essa máquina porque um dia eu vou morrer". Foi aí que Moisés passou a ajudar Seu Nicanor, ser ajudante dele; logo depois vindo a ajudar todos os ferroviários e maquinistas, aprendendo essa função. Quando a ferrovia foi resgatada, em 1982, ele chegava por aqui vindo do Acre. Diz que frequentava o pátio da Estrada de Ferro e que dede muito jovem bebeu na fonte da sabedoria dos um mais antigo da Ferrovia do Diabo. E ressalta e prosa longa: "Hoje eu sou o condutor dessa máquina, mas vou preparar alguém para me substituir, porque quem não morre de novo, de velho não escapa. A Litorina é só um aperitivo, nós queremos estar andando aqui com o trem. Eu vim trabalhar no trem justamente como guia turístico, vim falar para as pessoas a respeito da Estrada de Ferro. Aprendi com os próprios ferroviários. Quando menino, saía do colégio e vinha pra ferrovia. Nasci no Estado do Acre, mas vim para cá bem bebê, me considero rondoniense de coração e alma; e sou do seringal Santo Antônio, que fica entre Sena Madureira e Manoel Urbano; nasci na floresta, sou bicho brabo. Eu sou responsável pela restauração da Litorina. Eu tive a ideia de fazer isso. Quando foi um dia eu falei com o presidente Ocampos. Disse a ele: olha, a estrada vai fechar pra reforma e nós precisamos colocar alguma coisa pra população. Ele disse: o que é que você sugere?? Eu respondi: vamos botar um trenzinho ou uma cegonha, ou alguma coisa andando pelo Santo Antônio até onde dá. Eu levei ao conhecimento do Bispo, presidente da Associação dos Ferroviário, e nasceu essa ideia. O Alex Palitot foi a pessoa número um nesse resgate aqui, porque ajudou muito a gente!"

O passeio não é lá grandes coisas! É muito curto e sem maiores paisagens interessantes para os olhos. O que conta mesmo é a sensação de que durante o trajeto olhos e sombras metafísicas nos empreitam alvissareiros! Talvez sejam as visagens! Os espíritos dos mortos transcenderam o tempo e o espaço! Dormitavam tristes e macambúzios como os dormentes esquecidos da velha estrada! Hoje, com a sacolejante Litorina andando pra lá e pra cá, as almas penadas despertaram do seu sono letárgico profundo e assistem, incrédulas, meia dúzias de mortais perambulando nos trilhos por entre a mata, como a recitar os versos da cantoria popular: Você precisa ver/ para saber como é/ que andava o trem na Madeira-Mamoré!!!

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