Segunda-feira, 9 de março de 2026 - 16h48

Contribuição de 15% sobre depósitos foi retirada do projeto antifacção, mas pode ser reapresentada em novo texto no Congresso
O setor de apostas esportivas e de cassino online mantém articulação no Congresso Nacional após a retirada, pela Câmara dos Deputados, do dispositivo que previa a criação de uma contribuição de 15% sobre os valores depositados por apostadores. A informação foi publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo (Estadão), que relatou a movimentação das empresas e associações do segmento diante da possibilidade de a medida voltar a tramitar em outro projeto.
A
proposta, conhecida como Cide-bets, havia sido incluída no
texto do projeto de lei antifacção durante a tramitação no Senado. O objetivo
seria destinar recursos para ações de combate ao crime organizado. Durante a
análise na Câmara, o trecho foi retirado por meio de destaque para votação em
separado, o que permite que o tema seja reapresentado em nova proposição
legislativa.
Representantes
de casas de aposta argumentam, conforme relatado pelo Estadão, que a cobrança
poderia estimular a migração de usuários para plataformas não autorizadas. A
avaliação do setor é que a incidência de 15% sobre os depósitos elevaria o
custo operacional das empresas regulamentadas e afetaria a competitividade
diante de sites que atuam fora das regras estabelecidas no país.
O
presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), declarou que o modelo de
cobrança proposto pelo Senado apresentaria dificuldades de execução. Segundo
ele, a equipe econômica apontou entraves técnicos para implementar a
contribuição nos moldes sugeridos. A discussão ocorre em um contexto de
consolidação do mercado regulado de apostas, após a definição de regras para
funcionamento das empresas no território nacional.
Durante
a tramitação do projeto antifacção, associações ligadas ao setor intensificaram
reuniões com parlamentares para apresentar posicionamentos contrários à nova
contribuição. A retirada do dispositivo não encerra o debate, já que
parlamentares podem propor texto específico para tratar da tributação sobre
depósitos.
Dados
de mercado mencionados na cobertura do Estadão ajudam a contextualizar o perfil
dos usuários. Pesquisa da Globo Ads sobre o comportamento dos apostadores em
2025 indica que 27,55% afirmam apostar poucas vezes ao ano, enquanto 20,42%
realizam apostas de uma a duas vezes por mês. Outros 14,10% declararam não ter
participado de apostas nos últimos 12 meses.
Levantamento
complementar de um cassino
online brasileiro aponta que 63% dos jogadores informaram
gastar até R$ 100 por mês em apostas esportivas. A faixa entre R$ 101 e R$ 500
corresponde a 26% dos entrevistados. Percentual de 7% declarou gastos entre R$
501 e R$ 1.000, e 4% afirmaram valores superiores a R$ 1.001 mensais. O ticket
médio geral foi estimado em R$ 61,52, com 90% dos depósitos concentrados abaixo
de R$ 100.
Em
relação às motivações, 72% dos participantes associam as apostas à diversão.
Outros 38% mencionam complemento de renda mensal, 19% citam socialização com
amigos e 18% relacionam a prática ao acompanhamento de modalidades esportivas.
Percentuais menores indicam testar conhecimentos sobre esportes (13%) e
considerar a atividade como principal fonte de renda (12%).
Os
dados reforçam a avaliação de que, nas plataformas regulamentadas de cassino
online e apostas, prevalecem padrões de participação esporádica e desembolsos
de menor valor, com motivação declarada voltada ao entretenimento. De forma
semelhante a debatida em um artigo recente sobre o impacto tributário em pequenos
empreendedores, a elevação de encargos em um setor recentemente legalizado pode
produzir efeitos adversos, dificultando a consolidação do mercado regulado e
incentivando indiretamente o mercado ilegal, onde o usuário fica fora do
alcance das regras de proteção previstas na legislação.
O
tema deve continuar em debate no Congresso, com possibilidade de novas
propostas voltadas ao financiamento de políticas públicas por meio da
tributação do setor.
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