Porto Velho (RO) quarta-feira, 11 de março de 2026
opsfasdfas
×
Gente de Opinião

Artigo

Cassinos online reagem à possível Cide-bets e citam risco de avanço do mercado ilegal

Setor de apostas articula no Congresso contra contribuição de 15% sobre depósitos, proposta retirada do projeto antifacção, segundo notícia do Estadão.


Cassinos online reagem à possível Cide-bets e citam risco de avanço do mercado ilegal - Gente de Opinião

Contribuição de 15% sobre depósitos foi retirada do projeto antifacção, mas pode ser reapresentada em novo texto no Congresso

O setor de apostas esportivas e de cassino online mantém articulação no Congresso Nacional após a retirada, pela Câmara dos Deputados, do dispositivo que previa a criação de uma contribuição de 15% sobre os valores depositados por apostadores. A informação foi publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo (Estadão), que relatou a movimentação das empresas e associações do segmento diante da possibilidade de a medida voltar a tramitar em outro projeto.

A proposta, conhecida como Cide-bets, havia sido incluída no texto do projeto de lei antifacção durante a tramitação no Senado. O objetivo seria destinar recursos para ações de combate ao crime organizado. Durante a análise na Câmara, o trecho foi retirado por meio de destaque para votação em separado, o que permite que o tema seja reapresentado em nova proposição legislativa.

Representantes de casas de aposta argumentam, conforme relatado pelo Estadão, que a cobrança poderia estimular a migração de usuários para plataformas não autorizadas. A avaliação do setor é que a incidência de 15% sobre os depósitos elevaria o custo operacional das empresas regulamentadas e afetaria a competitividade diante de sites que atuam fora das regras estabelecidas no país.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), declarou que o modelo de cobrança proposto pelo Senado apresentaria dificuldades de execução. Segundo ele, a equipe econômica apontou entraves técnicos para implementar a contribuição nos moldes sugeridos. A discussão ocorre em um contexto de consolidação do mercado regulado de apostas, após a definição de regras para funcionamento das empresas no território nacional.

Durante a tramitação do projeto antifacção, associações ligadas ao setor intensificaram reuniões com parlamentares para apresentar posicionamentos contrários à nova contribuição. A retirada do dispositivo não encerra o debate, já que parlamentares podem propor texto específico para tratar da tributação sobre depósitos.

Dados de mercado mencionados na cobertura do Estadão ajudam a contextualizar o perfil dos usuários. Pesquisa da Globo Ads sobre o comportamento dos apostadores em 2025 indica que 27,55% afirmam apostar poucas vezes ao ano, enquanto 20,42% realizam apostas de uma a duas vezes por mês. Outros 14,10% declararam não ter participado de apostas nos últimos 12 meses.

Levantamento complementar de um cassino online brasileiro aponta que 63% dos jogadores informaram gastar até R$ 100 por mês em apostas esportivas. A faixa entre R$ 101 e R$ 500 corresponde a 26% dos entrevistados. Percentual de 7% declarou gastos entre R$ 501 e R$ 1.000, e 4% afirmaram valores superiores a R$ 1.001 mensais. O ticket médio geral foi estimado em R$ 61,52, com 90% dos depósitos concentrados abaixo de R$ 100.

Em relação às motivações, 72% dos participantes associam as apostas à diversão. Outros 38% mencionam complemento de renda mensal, 19% citam socialização com amigos e 18% relacionam a prática ao acompanhamento de modalidades esportivas. Percentuais menores indicam testar conhecimentos sobre esportes (13%) e considerar a atividade como principal fonte de renda (12%).

Os dados reforçam a avaliação de que, nas plataformas regulamentadas de cassino online e apostas, prevalecem padrões de participação esporádica e desembolsos de menor valor, com motivação declarada voltada ao entretenimento. De forma semelhante a debatida em um artigo recente sobre o impacto tributário em pequenos empreendedores, a elevação de encargos em um setor recentemente legalizado pode produzir efeitos adversos, dificultando a consolidação do mercado regulado e incentivando indiretamente o mercado ilegal, onde o usuário fica fora do alcance das regras de proteção previstas na legislação.

O tema deve continuar em debate no Congresso, com possibilidade de novas propostas voltadas ao financiamento de políticas públicas por meio da tributação do setor.

Gente de OpiniãoQuarta-feira, 11 de março de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

O investimento invisível que protege o lucro e as pessoas

O investimento invisível que protege o lucro e as pessoas

No universo corporativo, a menção a uma Norma Regulamentadora costuma despertar, de imediato, uma associação com burocracia, fiscalização e, princip

Pagamentos simples para vendas ocasionais e informais

Pagamentos simples para vendas ocasionais e informais

Nem todo mundo vende todos os dias ou mantém um negócio com rotina fixa. Muitas pessoas realizam vendas ocasionais, atendimentos pontuais ou cobranç

Os arquétipos femininos como espelhos da alma humana

Os arquétipos femininos como espelhos da alma humana

Por que a mulher, mesmo desempenhando bem os papéis que a vida lhe confiou, por vezes não se sente plena? Onde reside a verdadeira realização da nat

O STF e a fronteira do equilíbrio democrático

O STF e a fronteira do equilíbrio democrático

Recentemente, tive a satisfação de conceder uma entrevista ao jornalista Pedro Campos, no programa Jornal Gente, da Rádio Bandeirantes. Indagado sob

Gente de Opinião Quarta-feira, 11 de março de 2026 | Porto Velho (RO)