Porto Velho (RO) quarta-feira, 8 de abril de 2026
opsfasdfas
×
Gente de Opinião

Crônica

Cadê as fogueiras?


Cadê as fogueiras? - Gente de Opinião

13 de junho. Por volta das oito horas da noite saí de casa e atravessei o bairro onde moro, rodando por vias intermediárias. De repente me deparei com algo que pensava não mais encontrar numa capital: Uma fogueira! E não era uma fogueirinha murcha, um apanhado de gravetos não. Era uma fogueira formada por toras de madeira que, cruzadas umas sobre as outras, deixavam ver labaredas que iam bem acima do seu cume. Há muitos anos eu não via uma daquelas num dia de Santo Antônio.

Na minha infância era comum a participação de todos – principalmente das crianças – na montagem e queima das fogueiras. Cada família fazia questão de montar uma na frente de casa,  nas vésperas e nos dias de Santo Antônio, São João e São Pedro, os famosos festejos ¨juninos¨.

Saíamos desde cedo em busca de troncos secos de árvores. Depois montávamos cada fogueira, uma em cada casa, com todos os vizinhos se ajudando. A noite havia sempre grande confraternização com todos se divertindo e dividindo os pratos típicos da época. Em volta da fogueira fazíamos adivinhações e previsões, virávamos compadres, comadres, noivos e noivas. Corríamos, brincávamos, e, conforme a madeira ia virando brasa, pulávamos por sobre ela. E havia uma verdadeira disputa entre a vizinhança para se fazer a fogueira mais bonita.

Era um período de música junina, quadrilhas e bois-bumbás. As comidas de época, os doces, o milho, o mingau, o aluá de milho ou abacaxi, tanta coisa! Durante dias juntávamos uns trocados para comprar bombinhas e soltar naquelas noites.

E a festa continuava na manhã seguinte, quando acordávamos e víamos que a madeira ainda estava em brasa. Então, voltávamos a atiçar o fogo e a colocar mais madeira para que mantivesse queimando a fogueira o dia todo. Era muita festa!

Creio que, ao contar essas lembranças a uma criança de hoje, ela, certamente, não vai entender a manifestação nem sentir graça. Não dá nem para fazer uma fogueira para mostrar como eram as brincadeiras, pois, se a fizermos certamente o sistema de monitoramento de queimadas vai detectar a fumaça, ativar os agentes e seremos presos e processados por poluição de ambiente, por causar o efeito estufa, por destruir a floresta amazônica, por derreter o gelo nos Polos da Terra, etc....etc...etc., ainda que milhares de hectares sejam queimados anualmente para que, onde era floresta, passe a ser campo de criação de gado ou de plantação de soja. Isso sem contar que milhões de carros e grandes indústrias continuem poluindo cada vez mais o ambiente do nosso planeta. Eles podem. Já as fogueiras e os festejos, não sobreviveram.

Gente de OpiniãoQuarta-feira, 8 de abril de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Os grilos de Patimau

Os grilos de Patimau

Outro dia, remexendo caixas, dessas arrumações que começam com ordem e terminam em memória, encontrei um texto antigo, esquecido entre tantos outros

Uma história de amor - O menino e o cão

Uma história de amor - O menino e o cão

Eu tinha doze a treze anos. Não mais; - quando minha mãe, declarou, em derradeiro dia de julho, com largo e bom sorriso, bailando nos finos lábios e

Em defesa da nossa cultura

Em defesa da nossa cultura

Passei a véspera de Natal em companhia de minha mulher, na residência de casal amigo, que gentilmente nos convidaram.A consoada foi simples: o tradic

A Nova Ordem Petrolífera: Como a queda de Maduro e o colapso do Irã redefinem a hegemonia dos EUA

A Nova Ordem Petrolífera: Como a queda de Maduro e o colapso do Irã redefinem a hegemonia dos EUA

Em uma reviravolta que remodela o tabuleiro geopolítico global, os Estados Unidos emergem de um primeiro trimestre de 2026 não apenas como potência

Gente de Opinião Quarta-feira, 8 de abril de 2026 | Porto Velho (RO)