Porto Velho (RO) quarta-feira, 8 de abril de 2026
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Gente de Opinião

Crônica

Medo de Morrer


Luiz Albuquerque - Gente de Opinião
Luiz Albuquerque

Eu não gostaria de morrer!

Digo isto, porém quero afirmar que não tenho medo da morte, até porque ela é consequência natural da vida. Aliás, a única certa!

Você não pode afirmar com toda a certeza, que algo vai acontecer com você daqui a alguns anos ou nem mesmo daqui a um milésimo de segundo, mas sim pode prever sem erro que seu o fim será a morte. Por isso não adianta ter medo. Sei que vai acontecer com todos, inclusive comigo, mas nem por isso eu gosto.

Você pode até questionar: “Ah! Mas o crescimento de uma pessoa também é consequência natural da vida!” Eu lhe digo: Depende! Afinal, se uma criança se mantém viva até tornar-se adulta, tudo bem. Porém se morre em qualquer fase de sua existência seu crescimento se encerra, até mesmo antes de nascer. E também neste caso a morte é a única certeza.

Mas por que estou tratando disso? 

Naturalmente, conforme vamos envelhecendo mais ficamos sabendo de pessoas chegadas, às vezes muito queridas, morrendo. Aí nos questionamos: E nós? A cada ano que passa precisamos de mais e mais exames clínicos, mais e mais consultas médicas, porém, ainda assim, mais e mais coisas estranhas se apresentam em nosso corpo. Olhamos a pele de nosso braço e vemos células mortas, necrosadas. Nosso corpo reclama de coisas sempre que fazemos algo a mais, coisas essas que antes eram naturais, rotineiras. Corremos aos especialistas médicos para ver se, com uso de remédios e tratamentos tais, disfarçamos ou postergamos as dores, fraquezas e indisposições. Aí mudamos tudo: Exercícios, boa alimentação, largamos o fumo, as bebidas, os doces, os churrascos para, assim, ficarmos com a sensação de que podemos viver mais alguns anos. Será que vale a pena? Espero que sim, pois ao menos todos estes sacrifícios justificariam o fato de deixar de lado um monte de coisas que gostaríamos de continuar a fazer ou saborear.

Acontece que (ainda bem) ninguém consegue prever a própria morte. Assim, não podemos confirmar com certeza que nossas ações de hoje efetivamente terão consequências negativas ou positivas na nossa vida futura, pois, para isso, precisávamos ter a certeza de que teríamos uma vida no futuro.

Assim, reafirmo que não gostaria de morrer, ainda que não tenha medo da morte. Fico com o que cantou Raul Seixas na melodia Canto Para Minha Morte: “Vem, mas demore a chegar. Eu te detesto e amo. Mortemortemorte que talvez seja o segredo desta vida”. 

Então que venha! Mas aviso logo que não tenho pressa...

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