Sábado, 18 de novembro de 2006 - 18h16
Esta conversa de audiências públicas sempre foi um circo. As audiências sobre as usinas do Madeira ocorridas nesta última semana não foram diferentes. Surpreendentemente foram muito mais tranqüilas do que se esperava. Efetivamente por todas as parcelas da sociedade organizada do Estado há a compreensão de que as obras são essenciais não só para Rondônia como para a Amazônia e o Brasil. A questão básica é a de que não continue se repetindo em nosso espaço o que é marca dos grandes projetos: os maiores efeitos se fazem lá fora e os piores ficam com a região na qual o projeto é realizado.
Assim os ambientalistas, nas audiências, diante de platéias amplamente favoráveis se recolheram ao seu tamanho. Sabem que não lotam um ônibus. Há alguns que são sinceros em seus propósitos, mas também o que querem criar dificuldades para vender facilidades. Por qualquer razão que seja criar problemas para a construção das usinas é um erro. Um atraso de posicionamento e de visão. O que se tem de cobrar são investimentos para Porto Velho, em infra-estrutura, e um programa de geração de emprego e renda que passe pela capacitação tecnológica. Ao contrário do que muitas pessoas pensam indústria não gera mais emprego. O que gera emprego é o comércio e serviços e Porto Velho e Rondônia são, por definição, privilegiados na sua condição geográfica. É preciso que se forme capacidade técnica por meio de engenheiros e tecnólogos para aproveitarmos a riqueza local, ou seja, é preciso investir em pesquisa e mão de obra. A construção das usinas deve ser o gatilho de um novo tempo. É isto que as classes política, produtivas e intelectuais do Estado unidas devem cobrar como medidas compensatórias.
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