Segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026 - 18h38

A
corrupção atinge qualquer regime político e faz parte da história da
humanidade. Porém, é muito pior nas ditaduras, porque a sujeira é jogada para
debaixo do tapete, impedindo a sociedade de tomar conhecimento dos fatos e a
verdade quase nunca aflora. Nos regimes democráticos, contudo, a corrupção
chega à tona, nem sempre na sua dimensão real, mas, pelo menos, é possível
seguir as suas pegadas, mapear a rota do dinheiro, identificar eventuais culpados
e, destarte, evitar que o vírus invada por inteiro o tecido social.
No
Brasil, a corrupção, além de preocupar, assusta, principalmente porque ela vem
se tornando compulsiva. E, o que é pior, as punições nem sempre correspondem à
dimensão dos escândalos praticados, sobretudo porque muitos se consideram
intocáveis. A sanção penal e política, quase sempre demorada e tímida, não
atemoriza; pelo contrário, acaba estimulando novas investidas, dificultando
ainda mais a contenção da prática viciosa. É por isso que, a cada semana,
explode um escândalo de corrupção.
Autoridades
das mais diferentes esferas de poder, políticos e empresários aparecem
chafurdando na pocilga do Banco Master, cuja roubalheira, em termos numéricos,
supera o escândalo da Petrobrás, evidenciando que ninguém mais teme ser
apanhado com a mão no erário. Muitos, inclusive, sem nenhum pudor, exibem os
instrumentos usados durante a pilhagem. São considerados, aceitos ou
reconhecidos como ladrões. Mas isso não importa, pois estão aí, livres, leves e
soltos, circulando pelas ruas do Brasil e do mundo, tranquilamente, conscientes
de que jamais serão incomodados, sempre prontos para novas investidas, pois
quanto mais roubam mais querem roubar.
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