Sexta-feira, 15 de janeiro de 2016 - 06h50
Gabriel Bocorny Guidotti
Jornalista e escritor
Porto Alegre – RS (Brasil)
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O alter ego representa o “eu”. É possível ser bom, mau, indolente, perverso e calculista. Tudo em espasmos mínimos de tempo. A rotatividade encontra impulso no contínuo das circunstâncias. Fatos felizes vão trazer felicidade. Fatos tristes causarão desfecho oposto. E no meio do “ziriguidum”, uma incapacidade humana bastante tangente: aceitar as particularidades do próximo.
Quando é conveniente, indivíduos assumem o caráter de negação. “Existem muitas pessoas homofóbicas, mas eu não sou”. Que tal, “existem muitas pessoas racistas, mas eu não sou”. E, ainda, “existem muitos homens machistas, mas eu não sou”. Ninguém é, embora a discriminação exista. Qualquer análise de discurso concluiria uma distorção. Distorção esta também conhecida como mentira. E da mais deslavada.
Opiniões polêmicas, discriminatórias, isolam o profanador em sua própria ilha de arrogância e verborragia. Seus poucos apoiadores serão engolidos pela sociedade, aquela orientada pelo bom-senso. Os bons superam os maus, embora não pareça. Em suma, o conceito de civilidade deveria estar incrustado na mente de cada um. Não está. É de condutas humanas que estamos falando. Identidades digitais – pior ainda – a nada se submetem.
Ideias são a prova de balas. Incluir ou extrair uma percepção pode levar anos. Para mudar gargalos, é preciso disparar um projétil renovador diretamente na educação, buscando que as acepções do futuro alterem as do passado. Alimentar a civilidade com políticas insípidas, inoperantes, gera mais preconceito e não resolve o problema, pois não se inutilizou o gatilho do atentado moral.
Veja bem: pensamentos homofóbicos, racistas e machistas em pleno século XXI? Não é aceitável. Onde existir cultura que prega posturas discriminatórias, dali sempre resultará a ebulição de ideias desprezíveis. Esse modelo precisa ter fim. Somente assim para a humanidade encontrar paz. Nós carregamos, inatamente, o amor pelo próximo. Resta ensinar, aos que não descobriram, como usá-lo.
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