Terça-feira, 8 de julho de 2025 - 11h36

Aproxima-se a eleição presidencial. Motivado pela derrota
acachapante que o Congresso impôs ao seu governo durante a votação do IOF, o
presidente Lula acaba de tirar da gaveta o velho discurso dos ricos contra os
pobres, seguido à risca por seus séquitos.
O governo quer convencer a população de que o aumento do
imposto só alcançaria os ricos, quando todo mundo sabe, inclusive petistas de
carteirinha, que o reajuste impactaria no bolso de todos os consumidores,
principalmente no salário daquele país de família que não tem dinheiro para
comprar um tênis novo para o filho ir à escola e é obrigado a dividir o valor
em três vezes ou mais.
Se o Congresso tivesse aprovado o imposto, como desejavam o
governo e sua turma, o valor final da parcela do tênis subiria. Mas isso o governo
não explica. Quer, a qualquer custo, arrancar mais dinheiro do trabalhador
brasileiro para manter o inchaço quase teratológico da máquina oficial. Essa
estratégia política, sempre usada às vésperas de pré-campanhas eleitorais, está
superada.
Usar o velho discurso de taxar grandes fortunas como saída
para reduzir as desigualdades e garantir maior justiça social, só para criar um
confronto entre segmentos da sociedade, não cabe mais na moldura dos tempos
modernos. É sabido que a concentração de renda contribui para aprofundar o
fosso entre ricos e pobres, mas há outros fatores relevantes que concorrem para
aumentar as discrepâncias nas condições de vida da população brasileira, como é
o caso da corrupção.
É impressionante como essa gente insiste em tentar separar o
país entre ricos e pobres, como se o acúmulo de riqueza, adquirido
honestamente, fosse uma espécie de maldição, que precisa ser combatido de
qualquer jeito, não importa os instrumentos usados para essa finalidade. Quer
dizer, criticam os ricos, mas querem viver como eles, morando em mansões,
andando em carrões de luxo, hospedando-se em hotéis caríssimos, comendo em
restaurantes finos, bebendo uísque e vinho importado, entre outras regalias.
Não faz muito tempo, um professor aposentado na UFRJ, em uma
postagem no X, sugeriu o uso de “guilhotina” contra a família de um conhecido
empresário brasileiro só porque a filha do casal, uma criança, apareceu numa
foto ao lado dos pais usando uma bolsa de marca. Que absurdo! Quanta
insensatez! E repare que o cidadão é um professor, alguém de quem se espera,
até pelo grau de conhecimento da realidade social, no mínimo, uma conduta
equilibrada, refletindo responsabilidade e bom senso em suas ações, mas,
infelizmente, o que se tem visto no Brasil de hoje é exatamente o contrário, ou
seja, uma brutal inversão de valores, uma guerra declarada entre “nós e eles”.
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