Sábado, 16 de novembro de 2013 - 20h01
Professor Nazareno*
Como no romance “A Revolução dos Bichos” de George Orwell, que satiriza o sistema comunista da ex-URSS, o PT, Partido dos Trabalhadores, também caminha a passos largos para se tornar igual aos humanos. Na verdade, hoje as diferenças entre petistas e antagonistas do passado são muito tênues. No livro, os porcos lideram uma inusitada revolução contra a dominação dos homens, mas no final se aliam de forma vergonhosa aos seus antigos adversários. Nascido no ambiente sindical da rica região do ABC paulista no final da década de 1970, o PT encantou a todos, principalmente os jovens universitários, com suas ideologias que pregavam justiça social, fim da ditadura militar, respeito com a coisa pública e também a divisão igualitária das riquezas do país, na época, potência emergente. Tudo mentira. O PT era só mais um partido político.
Admito que também entrei na conversa fiada dos petistas e cheguei a ser um dos simpatizantes do “partido dos companheiros”. Dentre as muitas coisas erradas que já fiz na vida, votei várias vezes nos candidatos petistas e ajudei a eleger o Lula Presidente da República. Mas a máscara do PT começou a ruir quando, derrotados três vezes consecutivas na campanha para a Presidência, os antigos sindicalistas resolveram mudar de tática e criaram o slogan “Lulinha paz e amor”. O objetivo era claro: deviam chegar ao poder a qualquer preço e por isso adotaram o pensamento de Maquiavel. O PT não tinha, e parece que nunca teve, um projeto de Governo, mas somente de poder. Por isso, a recente prisão dos mensaleiros e outrora chefes petistas como José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoino, dentre outros, demonstra claramente esta maldita tese.
Talvez em nome da governabilidade, o PT chafurdou na lama e se tornou igual aos outros partidos políticos que tanto combatia. Uma vez no poder, passou a fazer política da maneira mais tradicional e sórdida possível. Aliou-se a Maluf, governou e ainda governa com o fisiologismo ímpar do PMDB, bajulou a elite, defendeu a mordaça à imprensa, envolveu-se em intermináveis escândalos de corrupção, introduziu no anedotário político nacional o dinheiro na cueca, criou o Mensalão ao tentar comprar votos para se perpetuar no poder, lambuzou-se, enfim, na lama que abominava. Em Santo André, São Paulo, mostrou a face mais obscura e desconhecida quando da morte do ex-prefeito Celso Daniel e em Porto Velho deixou às claras a sua incompetência em administrar a coisa pública com os escândalos de Roberto Sobrinho e sua trupe.
Claro que o PT trouxe algumas pequenas mudanças para o Brasil nestes dez anos de poder. Há boas contribuições, sim, para o nosso desenvolvimento e por isso, a prisão dos petistas envolvidos no esquema do Mensalão é um fato para se lamentar na nossa suja política, mas precisamos moralizar a coisa pública. Em Rondônia, a Câmara de Vereadores de Porto Velho e também a Assembleia Legislativa do Estado precisam urgentemente da visita de um Joaquim Barbosa e do próprio STF para moralizar aqueles ambientes infectos, nojentos, podres e imundos. O PT está sendo desinfetado e todo o Brasil também precisa sê-lo. Mesmo difícil de encontrar, o país precisa urgentemente de um partido político melhor do que o PT, o PSOL, DEM, PSC, PMDB, PDT, PP, PV, PC do B, PR, PTB, PPS, PT do B, PSDB, etc. etc. Lamentavelmente, de punhos erguidos, os presos do Mensalão se arvoram de ser presos políticos. Já foram, hoje em plena democracia, eles são presos comuns. Ou seja, para o bem do Brasil e da democracia, são apenas políticos presos. E todos os que devem que sigam o mesmo caminho: a cadeia.
*É Professor em Porto Velho.
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