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Ed Motta e a cultura Tupiniquim


Ed Motta e a cultura Tupiniquim - Gente de Opinião

Professor Nazareno*

O cantor, compositor, multi-instrumentista, arranjador e produtor musical Ed Motta, sobrinho de Tim Maia, esnobou recentemente os brasileiros que moram na Europa. Pediu que os seus compatriotas não fossem aos seus shows pedindo para cantar “Manuel” ou então falando em Português. “O mundo inteiro fala e entende o Inglês, não é possível que os brasileiros que moram no exterior não saibam o básico desta língua”, disse o artista. Afirmou também que é um absurdo esses brasileiros irem a um espetáculo enrolados em uma bandeira do Brasil, tomando cerveja barata e gritando o nome de times de futebol como um bando de loucos. “No meu show eu não falo Português e nem canto uma música sequer neste idioma”, disparou para o espanto de muitas pessoas. Disse também que não gosta desse público de sertanejo, axé e pagode.

Publicadas nas redes sociais, as sensatas declarações do cantor causaram revolta e indignação em muitos brasileiros. Mas não deviam, já que ele só falou verdades. O problema é que as pessoas geralmente preferem ouvir mentiras que confortam a verdades que machucam. Ed Motta disse convicto que cultura no Brasil “é correr pulando feito macaco atrás de trios elétricos” e que “os cantores populares no nosso país são idiotas, pois somos uma terra de gente intolerante e ignorante”. Eivadas de verdades inquestionáveis, as sábias palavras do sobrinho de Tim Maia deviam ficar para a posteridade. Visto de fora, o Brasil chega a ser grotesco e tosco. E deve ser mesmo um horror o sujeito fazer sucesso na Europa e ter o desprazer de encontrar um bando de gente mal educada e sem princípios que sequer sabe o significado de sua boa música.

Claro que a cultura do Brasil não é inferior, mas compará-la com o que há de melhor no mundo civilizado chega a ser um acinte, uma falta de bom senso. Sem futebol, cachaça, pagode e Carnaval o povo brasileiro entra em extinção e desaparece para sempre. O maior Carnaval do mundo, claro, está no Brasil. O maior São João do mundo, também. E o esdrúxulo Boi-bumbá só se vê por aqui mesmo e em mais nenhum outro lugar do planeta. Por isso eles são sempre os maiorais: ninguém, num país civilizado, gostaria de concorrer com estas coisas bizarras e sem sentido. Teimo em aceitar que estas “tranqueiras tupiniquins” sejam cultura, embora muita gente jure que é. Não é possível que um país com mais de 200 milhões de habitantes, e nenhum prêmio Nobel no currículo, pare durante uma semana só para beber álcool e pular nas ruas.

Ainda bem que Ed Motta nunca veio a Porto Velho. Aqui, ele azeitaria a sua metralhadora verbal e colocaria em dia o seu vocabulário malcriado ao se deparar com o que chamam de cultura. Veria o maior teatro sem alvará de que se tem notícia e ficaria extasiado com a “cultura” desta periferia de capitalismo. O pomposo e inútil “Palácio das Artes de Rondônia” é uma construção em estilo horrendo que hoje em dia não tem nenhuma serventia aparente. O abandono, o mofo, as teias de aranha e os cupins já estão rondando aquele horroroso prédio que de arte não tem nada. Cultura por aqui é ouvir Pablo e sua sofrência, além de se distribuir cachaça grátis para meia dúzia de pinguços correrem atrás de uma banda. Como os europeus apreciam as coisas boas da vida, a turnê de Motta pelo Velho Continente terá 17 shows em 10 países, entre eles França, Alemanha, Itália e Reino Unido. E todos em Inglês, a língua do mundo civilizado.


*É Professor em Porto Velho.

 

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