Porto Velho (RO) sexta-feira, 13 de março de 2026
opsfasdfas
×
Gente de Opinião

Opinião

Intervenção é farsa política, diz Marcelo Freixo


Gente de Opinião

Rio 247 – "Temer afirmou recentemente que a intervenção foi uma jogada de mestre. Não cabe a um presidente jogar com a democracia e com a segurança das pessoas. Ele se aproveita do medo real para fazer algo que não resolve as raízes desse temor e ainda ameaça direitos fundamentais. A democracia é inegociável e não pode virar joguete nas mãos do PMDB", diz o deputado estadual Marcelo Freixo, do Psol, ao comentar a intervenção no Rio. Confira, abaixo, seu artigo:

 

Intervenção é farsa política

Basta analisarmos experiências passadas. Desde os anos 90, houve diversas intervenções em favelas. O que mudou no Alemão ou na Maré, por exemplo? Nada

Por Marcelo Freixo

A intervenção do governo Temer no Rio é uma farsa que abre caminho para uma série de ilegalidades. Isso porque não se trata de uma plano de segurança pública, mas de uma tentativa de manipular o medo da população para tentar salvar eleitoralmente o PMDB e Temer. Prova disso é que dois dias após o decreto ser publicado, o presidente passou o dia reunido com marqueteiros, e não com membros das forças de segurança. Os marqueteiros veem a oportunidade de erguer politicamente o governo.

Não é a primeira vez que discurso militarista e o Exército são usados eleitoralmente. Sérgio Cabral se reelegeu em 2010, e Pezão venceu em 2014 com discursos militaristas e ocupações em favelas.

Todos sabem, do marqueteiro de Temer ao comando do Exército, que a intervenção militar não resolverá o complexo problema da violência. Basta analisarmos experiências passadas. Desde os anos 90, houve diversas intervenções em favelas. O que mudou no Alemão ou na Maré, por exemplo? Nada.

Em audiência pública no Senado, em junho de 2017, o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, afirmou que o uso das Forças Armadas na segurança pública é perigoso e inócuo. Ele também declarou que a ocupação da Maré não teve efeitos positivos.

A diferença é que, desta vez, não se trata de ocupação, mas de intervenção e da suspensão de direitos. A atuação do Ministério Público e da Defensoria Pública do estado, assim como a Assembleia Legislativa, está cerceada na área da segurança. Tudo para atender aos interesses eleitorais do PMDB.

Se os resultados não aparecerem, qual será o próximo passo? Temer vai decretar estado de emergência e suspender as eleições? Este governo, sem credibilidade e legitimidade, não tem limites. Por isso, a intervenção atinge todo o país.

Presidi a CPI do Tráfico de Armas e a CPI da Milícias, que trataram de questões relacionadas ao crime organizado. Apresentamos propostas que poderiam ser aplicadas imediatamente, mas acabaram ignoradas. Necessitamos de integração, não de intervenção. Cerca de 80% das armas utilizadas em homicídios no estado são oriundas do mercado legal. É fundamental integrar os setores de inteligência das polícias estaduais e das forças federais para que atuem de forma articulada para fiscalizar o setor. Além disso, as munições precisam ser individualmente identificadas para facilitar o controle.

É urgente um plano de metas para reduzir homicídios, tanto os praticados quanto os sofridos por policiais. A violência é grave, mas a força somente não acabará com a criminalidade. É necessário oferecer programas culturais e sociais em áreas onde os jovens estão mais vulneráveis.

Temer afirmou recentemente que a intervenção foi uma jogada de mestre. Não cabe a um presidente jogar com a democracia e com a segurança das pessoas. Ele se aproveita do medo real para fazer algo que não resolve as raízes desse temor e ainda ameaça direitos fundamentais. A democracia é inegociável e não pode virar joguete nas mãos do PMDB.

Marcelo Freixo é deputado estadual (PSOL-RJ)

Gente de OpiniãoSexta-feira, 13 de março de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Os Lusíadas e o espelho partido do mundo

Os Lusíadas e o espelho partido do mundo

Do Adamastor, o gigante de pedra e medo, ao tempo do Diabo contra o Diabo, onde já não há deuses, só abismos a fitarem-se Em 12 de março, sopram quatr

Precisamos da bomba atômica

Precisamos da bomba atômica

O Brasil precisa urgentemente de ter uma bomba atômica. Não! Não é para atacar ninguém e muito menos para jogar em nenhum outro país, mas para impor

Câmara Municipal de Porto Velho vive crise de “ingerência”

Câmara Municipal de Porto Velho vive crise de “ingerência”

É mais ou menos isso que se pode inferir das palavras do médico dermatologista e vereador José Iraci Macário Barros, durante recente entrevista ao j

Até tu, Ipam?

Até tu, Ipam?

É impressionante e, ao mesmo tempo, revoltante saber como Daniel Vorcaro conseguiu, em tão pouco tempo, montar e operar um esquema de corrupção alta

Gente de Opinião Sexta-feira, 13 de março de 2026 | Porto Velho (RO)