Terça-feira, 12 de agosto de 2008 - 22h54
MONTEZUMA CRUZ
Fiz um compromisso comigo mesmo de não gastar velas com esse tipo de defunto, no entanto, percebo que às vezes a opinião da gente tem algum sentido para as pessoas. Acostumado a presenciar contendas político-partidárias desde a infância lá no Pontal do Paranapanema, lhes asseguro que vi outros filmes com o enredo da conhecida ficha-suja.
Aos 16 anos, iniciando-me na correspondência de "A Região" (de Presidente Prudente-SP), o vibrante semanário do jornalista Neif Tayar, quis saber o que era a tal Lei das Inelegibilidades. Desde meus tempos no município de Teodoro Sampaio vim aprendendo e me surpreendendo ao longo dessas décadas. Noto que até na Amazônia, dos grandes centros às cidades de barranco, a mediocridade e a safadeza campeiam de um jeito que a gente só pode ficar boaquiaberto. Rondônia bate o recorde de fichas-sujas na política e tudo ficará por isso mesmo. Até onde isso vai ocorrer, só Deus sabe.
Nesta terça-feira, 12 de agosto, ouço de um deputado federal do PT: "Ora, Monte, claro que o STF agiu certo. Estamos numa democracia!". Referia-se ao placar de 9 X 2, com o qual o Supremo manteve o direito das candidaturas dos sujos. Tão superficial o raciocínio do parlamentar que me calei e não espichei a conversa.
Na quarta-feira da semana passada o Supremo Tribunal Federal rejeitou o recurso da Associação dos Magistrados Brasileiros pela impugnação da candidatura dos fichas-sujas. Assim, ninguém poderá ser impedido de disputar eleições enquanto o processo a que responde não tiver sido julgado em última instância.
Não se questiona o princípio da presunção de inocência. Este é o entendimento de muita gente – políticos e juristas, especialmente. No entanto, advogados a serviço de alguns políticos de pequenas a grandes cidades se valem de um princípio jurídico que cheira a impunidade. Com isso, a distância entre a legalidade e a moralidade se torna do cada vez mais abissal.
Um processo que se inicia não deveria impedir a formalização de uma candidatura. Por quê? Porque assim estaria escancarada a porta para a indústria das denúncias.
Ocorre que de norte a sul do Brasil chovem indícios e relampejam provas contra um enorme contingente de pilantrólogos, criminosos, daqueles que chegam às Câmaras de Vereadores, às Assembléias Legislativas, à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal, cuja vida pregressa é conhecida pela população.
Com uma primeira condenação judicial, já se justificaria a impugnação da candidatura desonesta, da fraude eleitoral, da esperteza do pilantrólogo. Quando se espera o trânsito em julgado, a candidatura se transforma em simples estratégia obtenção de foro especial. E foro especial não atende ao ladrão de alface na feira.
É o momento de elogiar a Igreja, a OAB, a Imprensa, alguns (nem todos) sindicatos, diretórios universitários e estudantis, pela campanha de conscientização que se esforçam em promover nesta antevéspera das eleições municipais de 2008. O postulante a cargo público deve, sim, ter sua vida conhecida pela população. É preciso que os cargos sejam ocupados por pessoas idôneas, algo que deveria ser regra, não exceção. Não vale chegar lá, praticar falcatruas no papel e escapulir com a desculpa escandalosa de que o erro foi da secretária ou da datilógrafa.
Necessário se faz apontar os desacertos entre a falastrice e a realidade. É nesse aspecto que se chegará a alguma luz no meio da podridão causada pelos fichas-sujas da República, rasteiros desde os distritos até os gabinetes e salões verde e azul do Parlamento.
Agora, a resposta ao deputado que me desilude: os crimes devem ser denunciados e a punição precisa ser aplicada de imediato. Como acreditar na Justiça, o maior remédio contra esses criminosos da vida pública – atuais e futuros? Democracia, estimado deputado, pode também se fortalecer com a consciência de que é mais fácil podar o mal pela raiz que reclamar depois da escuridão e da esculhambação ética e moral que os pilantrólogos deixam à sociedade. Malandro uma vez, mil vezes malandro. Basta!
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