Porto Velho (RO) sábado, 14 de março de 2026
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O tempo dos brasileiros sem tempo


Professor Nazareno*

            Dentre os muitos defeitos que nós brasileiros temos um chama a atenção e intriga povos de outras partes do mundo: não conseguimos respeitar o horário que marcamos para os nossos compromissos. Diferentes dos cidadãos que moram nos países civilizados do planeta, muitos conterrâneos nossos têm o esquisito costume de chegar atrasados ou simplesmente, e sem desculpas convincentes, nem aparecerem. Como raríssima ilha de exceção, no ENEM, Exame Nacional do Ensino Médio, assim como em outros concursos públicos, o horário de início das provas é sagrado. Chegou atrasado, está eliminado. Já estão ficando antológicas as cenas espalhadas pelo Brasil de candidatos correndo desesperadamente para não perderem o que não planejaram com antecedência. Nestes casos geralmente o motorista do ônibus é que leva toda a culpa.

            Na Inglaterra temos o famoso “horário britânico”, mas não são somente os súditos da rainha que têm o privilégio de conviver com esta civilidade. Japoneses, norte-americanos e europeus de um modo geral são pontualíssimos em seus compromissos. O transporte coletivo em Munique na Alemanha, por exemplo, tem cronômetro com contagem regressiva em todas as paradas. Não atrasa um. Zerou a contagem, está lá o trem ou o ônibus. Além da limpeza, do conforto, da segurança, da pontualidade e da comodidade, os japoneses enfrentam sempre com bom humor a mobilidade urbana em Tóquio, capital do país e maior metrópole do mundo. Por lá não há a desculpa infantil de que o ônibus atrasou para chegar ao trabalho ou à escola depois da hora habitual. Nestes países, geralmente se chega 10 ou 20 minutos antes de qualquer compromisso.

            E o pior é que nem nas nossas escolas, que podiam e deviam dar o exemplo, a pontualidade é regra. Todos os dias, durante o ano inteiro, alguns alunos dos três turnos sempre chegam atrasados para as primeiras aulas. Ninguém é punido e a tragédia se repete dia após dia todos os anos. Nosso transporte coletivo é uma desgraça só. Respeitar a hora por aqui é coisa de outro mundo. Em Porto Velho, o Interbairros deve ser o campeão de atrasos. Nossos horários geralmente são marcados com a hora exata e ainda assim, marcam-se os compromissos às 10 horas para se começar às 11 ou depois. Festas de aniversários, casamentos ou confraternizações geralmente são marcadas “para depois das três ou quatro horas da tarde”. Na Europa, muitos compromissos são marcados com a hora “quebrada”: o trem das 13h47min passa exatamente às 13 e 47.

            No Brasil, a desorganização e a irresponsabilidade são regras em quase todos os setores. Por isso, sofremos muito quando visitamos a Europa, o Japão ou os Estados Unidos. Geralmente não respeitamos filas, falamos alto e sempre apelamos para o medieval “jeitinho brasileiro”, que é repudiado mundo afora. Brasileiro devia ser proibido de visitar lugares civilizados e desenvolvidos sem antes fazer um curso intensivo de boas maneiras e civilidade. Até o horário de verão contribui para esta anormalidade. O Jornal Nacional da Rede Globo, por exemplo, é exibido às 20 e trinta no horário de Brasília, mas em Porto Velho é exibido com atraso de apenas uma hora em vez de duas. Com parabólica, se quiser eu assisto duas vezes por dia à mesma programação. Aqui há atrasos em rodoviários, portos e aeroportos e mudam-se datas de feriados a bel prazer. Deve ser por isso que o mundo civilizado não nos leva a sério.

*É Professor em Porto Velho.

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