Porto Velho (RO) sábado, 14 de março de 2026
opsfasdfas
×
Gente de Opinião

Opinião

Sem Lula na disputa, o eleito em 2018 terá déficit de legitimidade - Por Tereza Cruvinel


Sem Lula na disputa, o eleito em 2018 terá déficit de legitimidade - Por Tereza Cruvinel - Gente de Opinião

Neste domingo, 49,7% dos amazonenses preferiram não votar ou anular o voto na eleição de um novo governador do estado, por conta da anulação do pleito de 2014. Pesquisa do instituto Ipsos sobre a rejeição aos políticos também avisou: os líderes de todos os grandes partidos têm rejeição elevadíssima, muito superior à do ex-presidente Lula. Este quadro aponta um quadro temerário caso Lula seja impedido de disputar a eleição de 2018: o eleitorado nacional pode fazer como o do Amazonas e o novo presidente, se eleito por uma fração reduzida do eleitorado, terá um deficit de legitimidade perigoso, que afetará suas condições de governar, sujeitando o Brasil a uma continuada instabilidade política, com todas as suas consequências.

Amazonino Mendes foi eleito com 59% dos votos válidos mas como a soma de brancos, nulos e abstenção foi de 49,7%, isso significa que o novo governador teve o apoio efetivo de cerca de 30% dos eleitores. Ou seja, 59% de  50,3% do eleitorado. Na prática, será um governante minoritário na sociedade, carregando um expressivo deficit de legitimidade.

Relativamente à rejeição, a pesquisa Ipsos é reveladora. O campeão de rejeição é naturalmente Temer, com 93,3%, seguido de Aécio Neves (PSDB) com 91,3%. Noves fora Eduardo Cunha, a lista segue, em ordem decrescente, com Renan Calheiros, José Serra, FHC, Dilma Rousseff, Geraldo Alckmin e Rodrigo Maia, todos com rejeição superior à de Lula, que aparece com 66%, em quase empate com Ciro Gomes e Marina Silva. Na mesma pesquisa, é Lula que aparece com o maior índice de aprovação, 32%, batendo de longe os nomes do PSDB e todos os outros candidatos.

Sem Lula na disputa, o eleito em 2018 terá déficit de legitimidade - Por Tereza Cruvinel - Gente de Opinião

Se este retrato da rejeição ampla e geral aos políticos aumenta a incerteza sobre a eleição de 2018, o fato de Lula ser um dos menos rejeitados e o mais aprovado, além de líder de preferência em todas as pesquisas eleitorais, aponta para os limites de uma eleição da qual ele seja excluído. A rejeição ao “sistema”  tende a se aprofundar, traduzindo-se em índice de absenteísmo similar ou maior do que o verificado no pleito sazonal do Amazonas.

Se tiver juízo, a elite política e econômica compreenderá que a candidatura de Lula tornou-se o único fator de equilíbrio capaz de garantir uma saída da crise por dentro do sistema político. Com Lula na lista de candidatos, para ganhar ou perder, a eleição terá uma participação legitimadora. Sem ele, torna-se elevada a possibilidade de um pleito que sufragará um presidente minoritário, carente de legitimidade e destinado a ser apenas um gerente da crise que continuará devorando o Brasil.

Gente de OpiniãoSábado, 14 de março de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Vorcaro, uma bomba ambulante prestes a explodir!

Vorcaro, uma bomba ambulante prestes a explodir!

Estava pensando outro dia como Daniel Vorcaro conseguiu montar uma máquina de corrupção tão sofisticada, a partir de um banco modesto, sem nenhuma e

Os Lusíadas e o espelho partido do mundo

Os Lusíadas e o espelho partido do mundo

Do Adamastor, o gigante de pedra e medo, ao tempo do Diabo contra o Diabo, onde já não há deuses, só abismos a fitarem-se Em 12 de março, sopram quatr

Precisamos da bomba atômica

Precisamos da bomba atômica

O Brasil precisa urgentemente de ter uma bomba atômica. Não! Não é para atacar ninguém e muito menos para jogar em nenhum outro país, mas para impor

Câmara Municipal de Porto Velho vive crise de “ingerência”

Câmara Municipal de Porto Velho vive crise de “ingerência”

É mais ou menos isso que se pode inferir das palavras do médico dermatologista e vereador José Iraci Macário Barros, durante recente entrevista ao j

Gente de Opinião Sábado, 14 de março de 2026 | Porto Velho (RO)