Sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026 - 08h51

Com o objetivo de ampliar o
debate institucional sobre os direitos das comunidades quilombolas e promover a
inclusão no acesso à justiça, o Tribunal Regional do Trabalho da 14ª Região
(RO/AC), por meio da Escola Judicial (Ejud-14), realizou uma palestra
telepresencial sobre os aspectos históricos, culturais e trabalhistas que
envolvem essas populações.
A iniciativa, dirigida a
magistrados (as), servidores (as), advogados (as), estudantes e ao público em
geral, reuniu mais de 100 participantes na plataforma Zoom e integra a agenda
da Justiça do Trabalho em consonância com a Resolução CNJ nº 599/2024, que
institui a Política Judiciária de Atenção às Comunidades Quilombolas.
Palestrantes compartilharam
experiências e saberes
A programação foi aberta com as
falas de Nucicleide da Paz Pinheiro, representante da Comunidade Quilombola do
Forte Príncipe da Beira e contou com a participação da professora Erineide
Rodrigues da Silva, liderança da Comunidade Quilombola de Pedras Negras. Ambas
compartilharam vivências, desafios enfrentados em seus territórios e a
importância do reconhecimento e da atuação do Poder Judiciário na defesa dos
direitos quilombolas.
A professora Amanda Michalski da
Silva, chefe do Núcleo de Meio Ambiente da Superintendência Indígena de
Rondônia e membro da Comissão Pastoral da Terra, conduziu a palestra principal,
oferecendo uma análise crítica sobre os direitos das comunidades quilombolas a
partir de uma perspectiva histórica e legal. Ela apresentou dados sobre o
panorama da titulação no Brasil, destacando que, embora o país tenha milhares
de comunidades quilombolas certificadas, o processo de regularização fundiária
ainda enfrenta sérios entraves, como o déficit de titulação, a morosidade nos
processos administrativos junto ao INCRA e os obstáculos estruturais causados
por conflitos fundiários, grilagem de terras e racismo ambiental.
Michalski também detalhou o
arcabouço jurídico que assegura direitos coletivos a essas comunidades, como o
artigo 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) da
Constituição Federal de 1988, o Decreto nº 4.887/2003 e a Convenção 169 da
Organização Internacional do Trabalho (OIT), que garante o direito à consulta
prévia, livre e informada.
Compromisso institucional com a
equidade
O debate foi enriquecido com a
presença dos juízes do TRT-14, Soneane Raquel Dias Simioli, Antônio César
Coelho e Wadler Ferreira, que dialogaram com as expositoras sobre os caminhos
para tornar a Justiça do Trabalho mais próxima e acessível às comunidades
tradicionais.
Durante o encontro, também foram
discutidos os objetivos centrais da Resolução CNJ nº 599/2024, que incluem a
superação de barreiras estruturais e institucionais, o incentivo a ações
estratégicas como mutirões e atendimento itinerante, além da promoção de um
diálogo intercultural com os povos quilombolas.
A palestra reafirma o compromisso
da Justiça do Trabalho da 14ª Região com a efetividade dos direitos humanos, a
justiça social e o combate ao racismo estrutural. A promoção de eventos como
este integra as ações de educação corporativa e de sensibilização institucional
voltadas à construção de um Judiciário mais inclusivo, conforme diretrizes do Planejamento
Estratégico da Justiça do Trabalho para o sexênio 2021-2026.
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