Quarta-feira, 12 de abril de 2017 - 11h10

Por Fernando Brito, do Tijolaço - É quase certo que não vá dar em nada a investigação – se houver – sobre o “pagamento de vantagens indevidas, não contabilizadas, no âmbito da campanha eleitoral de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República, nos anos de 1993 e 1997”, delatadas pelo empreiteiro Emílio Odebrecht.
Vai para Justiça de São Paulo – é preciso fazer comentários – e não custa para ser descartada na conta da prescrição.
Seja como for, não há punição maior para Fernando Henrique, nada que lhe doa mais do ter de recolher a sua plumagem de pavão, com que voltou, desde a crise do governo petista, a exibir, como sendo o pró-homem da República.
Passou anos jururu, como o homem mais detestado do Brasil pelo que fez a este país e agora gozava, incontido, do retorno da vaidade. Nem os do golpe que atiçou escapavam: “pinguela é o que temos”, disse de Michel Temer.
Nada foi adiante em seus tempos – onde o procurador era o engavetador geral da República – e, a esta altura, poucos remédios legais ainda não perderam a validade.
Mas agora, depois de ter endeusado as delações e os delatores, como se não soubesse como funciona a fábrica de salsichas da política, vê-se salpicado pelas memórias de um velho empreiteiro decadente.
Horas antes de ser atingido pela lama ainda arrogava-se candidato a “reconstruir uma base moral para o país”.
A esta altura da vida que maculou ao trair o que dizia e mandar que esquecessem o que escrevera, a condenação mais merecida à qual Fernando Henrique deve voltar é aquela da qual queria se libertar: a condenação ao ostracismo.
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