Segunda-feira, 19 de junho de 2017 - 08h02

247 - Lideranças tucanas ensaiaram uma autocrítica a respeito da derrocada do partido.
Ao analisar as escolhas feitas desde a reeleição da ex-presidente Dilma Rousseff, passando pelo apoio ao impeachment e o embarque no governo de coalizão, lideranças tucanas admitem erros, mas culpam o infortúnio pelo beco sem saída em que se encontram. Em primeiro lugar, fruto do que chamam de “imprudência” de Aécio Neves na relação com o empresário Joesley Batista. Em segundo, pelo fato de Michel Temer “não cumprir sua parte no acordo” de comprar o programa de reformas tucano.
— Fomos vítimas das circunstâncias... Não se esqueça de nossas vitórias nas eleições municipais — lamenta o secretário-geral do partido, Silvio Torres (SP).
O relator da reforma trabalhista no Senado, Ricardo Ferraço (PSDB-ES), diz que o PSDB errou ao não amarrar limites pela participação do partido no governo de Temer. Diz que os tucanos se acomodaram com as “benesses” do poder, e deixaram correr frouxo o descompromisso com a ética e a renovação da política.
— Viramos mais do mesmo. Nós tínhamos um valor agregado e isso virou commodity, algo sem valor. Houve uma grande frustração da sociedade com o PSDB. A gente foi para esse governo ‘facinho’ demais, não colocamos um divisor do tipo: o presidente Temer pode cometer erros novos, mas não mais do mesmo. Com o tempo, o governo de transição ficou muito parecido com o governo de Dilma, e fomos junto. A vaca foi para o brejo com corda e tudo — diz Ferraço, que como autocrítica defende o imediato afastamento de Aécio Neves, definitivamente, da presidência do partido para reduzir danos à imagem da legenda.
As informações são de reportagem de Maria Lima em O Globo.
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