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Janot pede virada histórica e nova representação política


Janot pede virada histórica e nova representação política - Gente de Opinião

247 - O procurador-geral da República Rodrigo Janot disse, ontem segunda-feira (27), durante discurso no qual cobrou engajamento da população em favor da Lava Jato, que movimentações de políticos tentam frear as investigações da operação. Ele afirmou que o Ministério Público "não se sujeitará à condescendência criminosa" em favor de uma" pseudo estabilidade destinada a poucos". Janot defendeu que é preciso "quebrar os grilhões do patrimonialismo" e comparou a resistência ao avanço da Lava Jato no meio político às dificuldades para abolição da escravatura no país, há 130 anos. O procurador disse também que, desde as manifestações de rua em 2013, a sociedade está "sedenta por uma virada histórica", pelo fim da impunidade.

Para Janot, a operação revelou que políticos e empresários transformaram "o Estado em um clube para desfrute de poucos". "Algumas vozes reverberam o passado e ensaiam a troca do combate à corrupção por uma pseudo estabilidade, a exclusiva estabilidade destinada a poucos. Não nos sujeitaremos à condescendência criminosa: não é isso que o Brasil quer, não é disso que o país precisa", afirmou o procurador-geral na abertura de um seminário que vai discutir os grandes casos criminais do Brasil e da Itália.

"Chegou a hora de quebrarmos também os grilhões do patrimonialismo, de nos libertarmos de um modo de ser que não nos pertence, daquele malfadado jeitinho associado à corrupção da lei que não traduz nossa verdadeira natureza. É hora de nos desvencilharmos da cultura de espoliação e do egoísmo. O país fartou-se desse modelo político", complementou.

Segundo ele, "temos hoje um déficit de representação política. Um descompasso entre o que quer o eleitor e o que faz o seu representante". "Não chegaremos ao fim dessa jornada pelos caminhos do Ministério Público ou do Judiciário. Esses são peças coadjuvantes no processo de transformação e de aprofundamento dos valores republicanos. A Lava Jato, por si só, não salvará o Brasil, nem promoverá a evolução do nosso processo civilizatório. Para tanto, é indispensável a força incontrastável da cidadania vigilante e ativa", afirmou.

Na avaliação do procurador-geral, o sistema eleitoral está "falido". "Lava Jato desvelou, como nunca, o sistema de favores mútuos entre políticos, partidos e empresários, que mais do que locupletar os seus sócios, frauda a democracia representativa, conspurca os valores republicanos e transforma o Estado em um clube exclusivo para desfrute de poucos, mas penosamente custeado por todos os brasileiros. É hora de nos desvencilharmos da cultura de espoliação e do egoísmo. O país fartou-se desse modelo político", disse.
 

Abaixo a matéria da Agência Brasil:

“Lava Jato por si só não salvará o Brasil”, diz Janot

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse hoje (27) que a Operação Lava Jato não “salvará o Brasil” da corrupção sem partipação popular. Janot participou no início da noite da abertura de um seminário sobre grandes casos de corrupção julgados no país e na Itália.

No discurso de abertura, o procurador disse que a Lava Jato é a “maior e mais profunda” investigação de combate à corrupção da história do país. No entanto, segundo o procurador, o fim dos desvios de dinheiro público não depende somente dos procuradores e dos juízes.

“Não chegaremos ao fim dessa jornada pelos caminhos do Ministério Público ou do Judiciário. Esses são peças coadjuvantes no processo de transformação e de aprofundamento dos valores republicanos. A Lava Jato, por si só, não salvará o Brasil, nem promoverá a evolução do nosso processo civilizatório”, disse Janot.

No discurso, o procurador-geral também disse que existe atualmente no Brasil um ambiente favorável ao fim da impunidade e que retrocessos não serão tolerados pelo Ministério Público.

“Hoje, algumas vozes reverberam o passado e ensaiam a troca do combate à corrupção por uma pseudoestabilidade, a exclusiva estabilidade destinada a poucos. Não nos sujeitaremos à condescendência criminosa: não é isso que o Brasil quer, não é disso que o país precisa”, disse.

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