Segunda-feira, 5 de junho de 2017 - 10h18

247 - O jornalista Kennedy Alencar avalia que Michel Temer corre risco maior de ser cassado no julgamento do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) do que no inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal). "A preocupação do governo com a divulgação de uma eventual gravação do ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures, que foi preso no sábado, tem relação com o julgamento no TSE. Apesar de a delação da JBS não fazer parte desse processo na Justiça Eleitoral, uma revelação de tal sorte, ainda que rebatida pela defesa de Temer, poderia criar ambiente desfavorável ao presidente no tribunal", destaca.
Por outro lado, Kennedy observa que "o processo no Supremo tende a ser barrado, porque hoje seria provável a reunião de apoio na Câmara a favor de Temer. Mesmo que haja um pedido de vista nesta semana de um ministro do TSE, não será possível empurrar o processo com a barriga durante meses. Provavelmente, em uma ou duas semanas, o julgamento seria retomado", diz. "Portanto, a principal batalha de Temer está no TSE, porque ela tende a ter um desfecho nesta ou nas próximas semanas", completa.
Para ele, Temer não deverá medir esforços para permanecer no poder. "Um dos advogados de Temer, Gustavo Guedes, disse à jornalista Marina Dias, da "Folha de S.Paulo", que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, poderia divulgar gravação de uma nova conversa de Rodrigo Rocha Loures, na qual o ex-deputado federal e ex-assessor presidencial incriminaria Temer. Tal divulgação teria o objetivo de influenciar o julgamento no TSE", ressalta.
"São graves as acusações do advogado de Temer. Gustavo Guedes também afirmou que Janot e Fachin adotam medidas processuais para acelerar o inquérito e prejudicar o presidente. Janot e Fachin precisam se manifestar. Não é admissível o eventual uso político de uma investigação contra ninguém", afirma.
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