Quarta-feira, 8 de março de 2017 - 07h22

Por Paulo Nogueira, do Diário do Centro do Mundo
Fernando Brito, do Tijolaço, fez uma comparação interessante um dia desses.
Brito disse que o que segura Temer no cargo é o mesmo que sustentou Eduardo Cunha tanto tempo.
A plutocracia — mídia à frente — esperou que Cunha terminasse o serviço sujo no processo de impeachment de Dilma. Feito isso, depois de meses passados desde que haviam surgido provas esmagadoras de roubalheira, Cunha foi quase que instantaneamente ejetado de seu cargo, cassado e posto na prisão.
Agora, a plutocracia aguarda que Temer faça o que se quer dele: as reformas que vão tornar ainda maiores as já enormes desigualdades sociais.
Temer será preservado para fazer isso. Não há outra explicação para ele ainda permanecer onde está diante da enxurrada de denúncias acachapantes de corrupção contra ele e seu governo.
Enquanto a tarefa estiver sendo feita, Temer ficará invulnerável. A plutocracia o deixará em seu posto de presidente decorativo. (Uma das ironias da carreira de Temer é que ele passou de vice decorativo a presidente decorativo.)
A agonia de Temer pode ser lenta, dependendo da velocidade das reformas que são esperadas dele.
A única forma de apressar o processo é a clássica: o povo nas ruas. A voz rouca das ruas tem que gritar: “Fora Temer. Diretas já.”
O protagonismo na queda de Cunha foi dos plutocratas: eles o ergueram e o derrubaram de acordo com sua conveniência.
Agora, na vez de despachar Temer, o protagonismo tem que pertencer ao povo.
Ruas já.
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