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Política - Nacional

Tucano que propõe volta do trabalho escravo quer o fim da Funai


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247 - A CPI da Funai-Incra, criada e dominada por parlamentares ruralistas, começou nesta quarta-feira (3) a discutir o relatório apresentado pelo deputado Nilson Leitão (PSDB-MT), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, setor historicamente em conflito com comunidades indígenas.

Um dos pontos do polêmico relatório do tucano pede a extinção da Funai. 

As informações são de reportagem de Ranier Bragon e Rubens Valente na Folha de S.Paulo.

"O texto apresentado pelo tucano nesta quarta, de 3.385 páginas, sugere o indiciamento de cerca de 50 pessoas, entre eles diversos diretores de organizações de defesa dos índios, antropólogos, ex-servidores do governo, integrantes do Ministério Público Federal, e supostos falsos indígenas e descendentes de quilombolas.

Entre as sugestões apontadas por Nilson Leitão está a extinção da Funai (Fundação Nacional do Índio), órgão vinculado ao Ministério da Justiça, e a criação de uma outra estrutura para atender os índios que esteja livre dos vícios que ele diz existir. "Sobram indícios de como a Funai tornou-se refém e foi transformada em braço operacional de interesses externos e, no plano interno, de um amálgama de interesses privados e objetivos ideológicos nada republicanos, sob olhar omisso do Estado brasileiro."

O ministro da Justiça, Osmar Serraglio, também integra a bancada ruralista e já chegou a dizer, ao se manifestar sobre os conflitos agrários, que "terra não enche a barriga de ninguém".

Vários pontos do relatório são direcionadas às principais entidades indigenistas do Brasil, entre elas o Cimi (Conselho Indigenista Missionário), vinculado à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).

'Registre-se que algumas ONG´s, principalmente o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), o Centro de Trabalho Indigenista (CTI) e o Instituto Socioambiental (ISA) têm recebido vultosos valores do exterior, bem como incitado e exercido ações decisivas na pregação de uma ideologia sofista e deturpada, por vezes disfarçada de messiânica, com sua difusão no interior das comunidades indígenas, inclusive mediante induzimento ou cumplicidade de agentes públicos', diz o relatório.

Secretário-executivo do Cimi, Cleber César Buzatto é um dos nomes contra os quais há sugestão de indiciamento. 'Consideramos que esse é um relatório que beira ao ridículo, eivado de acusações fraudulentas e que exala um racismo rancoroso por parte do agronegócio contra os povos indígenas', afirmou.

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