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Política

Confúcio Moura se apequena, admite a verdade nos bastidores, nega em público e usa redes sociais para se vitimizar

Postagem que chama informação de “fake news” escancara contradição, expõe deslealdade com a imprensa e revela estratégia de fuga ao debate público


Confúcio Moura se apequena, admite a verdade nos bastidores, nega em público e usa redes sociais para se vitimizar - Gente de Opinião

O senador Confúcio Moura, prestes a completar 78 anos, cometeu o ato mais infantil de sua carreira política. Desmentiu a si próprio, mas, em vez de reconhecer o erro, admitir mudança de posição ou esclarecer o contexto, preferiu acusar. E acusou sem acusar. Coisa de gente pequena. As informações são do site Rondônia Dinâmica.

Na coluna Resenha Política publicada na última quinta-feira, 02, o jornalista Robson Oliveira revelou que o senador não disputaria a reeleição. Ponto. A informação, segundo o próprio texto, havia sido comunicada anteriormente pelo próprio parlamentar, em caráter reservado, dentro de um acordo de timing para anúncio posterior. Não se tratava de suposição, mas de registro de bastidor, preservado por respeito e tornado público quando deixou de ser sigilo.

LEIA A COLUNA NA ÍNTEGRA:
Marcos Rocha fica; risco de deixar a gestão para o vice era alto; e Confúcio encerra sua carreira política

A despeito disso, e mesmo após uma série de elogios feitos na mesma coluna, o congressista optou por reagir de forma tacanha. Em suas redes sociais, classificou a informação como “fake news” e atribuiu sua circulação a uma suposta estratégia para confundir e desmobilizar apoios. Transformou o episódio em um comício em praça pública digital para se colocar como mártir, desviando o foco do ponto central: a origem da própria informação.

A contradição é evidente. Ao negar algo que, segundo o relato jornalístico, partiu dele próprio, o senador não apenas cria uma ruptura com os fatos, como também recorre a um expediente perigoso. Ao usar o termo “fake news”, sugere a prática de um ato ilícito — ainda que de forma genérica — sem apontar responsáveis, sem nominar autores, sem assumir o ônus da acusação. Imputa ao vento. Age com covardia institucional.

E há um agravante que não pode ser ignorado. Na própria coluna que o senador desmente de forma genérica, sem a decência de nomeá-la ou apontar o nome do autor, há registros claros de reconhecimento às suas qualidades políticas. O texto constrói uma leitura que destaca que Confúcio encerra sua trajetória eleitoral sem derrotas constrangedoras, após mandatos como prefeito, deputado federal, governador por dois ciclos e senador.

A análise também ressalta sua capacidade de articulação institucional, apontando que, na percepção de gestores municipais, o parlamentar se destacou por viabilizar recursos e destravar investimentos, sendo visto como um agente acima da média nesse aspecto. Há menção ao reconhecimento de prefeitos, à execução de obras e à construção de uma imagem de entrega concreta ao estado.

Outro ponto valorizado é o momento de saída. A coluna registra que a decisão de não disputar novos cargos ocorre no tempo escolhido pelo próprio político, não por imposição externa, o que, no ambiente político, é tratado como diferencial relevante. A leitura sugere um encerramento de ciclo sob controle pessoal, resultado de uma avaliação amadurecida.

Por fim, o próprio texto atribui ao senador uma combinação simbólica rara: a imagem de serenidade associada à eficiência como operador político, mencionando uma “aura de estadista eficiente” construída ao longo dos anos. Ou seja, não se trata de uma cobertura hostil. Trata-se, ao contrário, de um registro que mescla informação relevante com deferência explícita.

Confúcio Moura se apequena, admite a verdade nos bastidores, nega em público e usa redes sociais para se vitimizar - Gente de Opinião

Ainda assim, a resposta foi o ataque.

Após a repercussão do episódio, houve contato direto entre o jornalista e o senador. Em conversa privada, Robson Oliveira manifestou sua indignação diante da acusação pública. A resposta, no entanto, seguiu em sentido oposto ao discurso adotado nas redes sociais. Em tom pessoal, Confúcio Moura reconheceu a veracidade da informação ao afirmar: “Eu sei que você falou a verdade. Absolutamente”. A declaração evidencia um contraste incontornável entre o posicionamento público e o reconhecimento reservado dos fatos.Isso reforça o comportamento ambíguo e pulsilânime do congressista.

O episódio também se insere em um contexto mais amplo da trajetória do senador. Ao final de sua segunda gestão como governador de Rondônia, no apagar das luzes do mandato, foram criadas 11 reservas ambientais, decisão que gerou impactos diretos e repercussões políticas significativas. Foi somente após esse conjunto de atos que deixou o Executivo e se lançou candidato ao Senado, sendo eleito em 2018, fugindo do debate. Fugindo da repercussão. E essa é uma prática recorrente da sua vida pública: evitar o confronto direto.

Esse recorte temporal ajuda a compreender o padrão. No Executivo, a força da caneta permitia administrar crises com maior controle. No Senado, a exposição é maior, a crítica é mais imediata e o ambiente político se mostra menos tolerante a ambiguidades.

Esse reposicionamento também se refletiu no campo político. Ao assumir de forma mais explícita posições que antes não eram publicamente sustentadas, o senador passou a enfrentar o ônus da impopularidade. O alinhamento com o governo Luiz Inácio Lula da Silva ampliou a rejeição em segmentos que anteriormente compunham sua base, especialmente em um cenário de polarização acentuada.

Na sequência, vieram novos pontos de tensão, como a defesa da concessão da BR-364 e do pedágio, acompanhada de justificativas que caminham na contramão de parte da sociedade e da própria bancada federal. O acúmulo desses fatores ajuda a situar o episódio atual como parte de um desgaste mais amplo. E isso causa incômodo. Mas o incômodo não pode servir de justificativa para ofensivas vis.

Em suma, nada disso justifica o método adotado. Ao atacar a credibilidade de uma informação que, segundo o próprio relato jornalístico, teve origem em sua fala, o senador rompe um princípio básico da relação entre poder público e imprensa. E o faz, inclusive, contra quem sempre o tratou com deferência.

Não se trata de defender um nome. Trata-se de defender o jornalismo. O jornalismo não pode ser relegado a muleta moral de autoridades capengas. Não pode ser acionado como alvo sempre que a realidade se torna inconveniente.

O gesto, além de desleal, é infantil. Não condiz com a trajetória de um homem com décadas de vida pública recorrer a expedientes retóricos frágeis para contornar uma contradição evidente. Tampouco se sustenta imputar irregularidades de forma genérica, sem a responsabilidade de dizer quem, quando e como.

No fim, o alerta é inevitável. Hoje, o ataque recai sobre um jornalista específico. Amanhã, pode atingir qualquer outro. E, se normalizado, transforma-se em método. É assim que se corrói o debate público: não pelo confronto de ideias, mas pela tentativa de deslegitimar quem as registra.

É inegável que se trata de uma trajetória política extensa, marcada por cargos relevantes e presença duradoura na vida pública. Ainda assim, por maior que pareça, ela não ultrapassa a dimensão de um grão diante daquilo que é maior, permanente e incontornável: o jornalismo exercido com ética e, sobretudo, a própria verdade. Porque, ao final, não é o jornalismo que se apequena diante desse tipo de atitude. É o próprio poder.

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