Quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026 - 12h20

Embora o Carnaval
seja sinônimo de liberdade, o risco de violência sexual ainda é uma realidade
para muitas mulheres. Com foco na prevenção, a deputada Ieda Chaves (União
Brasil) fortalece a divulgação da cartilha Meu Corpo, Meu Bloco. Desenvolvido pela Procuradoria Especial da Mulher (PEM)
da Assembleia Legislativa de Rondônia (Alero), o material serve como um manual
de proteção e respeito para garantir que a folia seja segura para o público
feminino.
Segundo a
parlamentar, é fundamental reforçar que o ambiente festivo não autoriza
abordagens invasivas. A ausência de reação ou de um “não” nunca significa
consentimento. Sem consentimento, há crime, em qualquer contexto.
“Muita gente não
sabe, mas, durante o Carnaval, os casos de violência sexual contra mulheres
aumentam de forma alarmante. E o mais grave: muitas mulheres ainda não sabem
que existem leis que protegem, que o assédio é crime e que elas não precisam
aceitar nada em nome da folia”, observou.
Legislação
O ordenamento
jurídico avançou para enfrentar essa realidade. O Protocolo “Não é Não” (Lei
Federal nº 14.786/2023) e as leis estaduais de Rondônia (nº 4.993/2021 e nº
5.975/2025) garantem acolhimento imediato às vítimas e impõem responsabilidades
ao poder público e aos estabelecimentos. Ieda Chaves lembra que reconhecer
esses instrumentos é essencial para que nenhuma mulher se sinta desamparada.
“Ela [a cartilha]
nasce da escuta das mulheres, da responsabilidade da gestão estadual e do nosso
compromisso com a vida das mulheres rondonienses. Aqui, a mulher aprende sobre
o Protocolo ‘Não é Não’, entende o que é assédio, importunação, violência e,
principalmente, onde buscar ajuda”, reforçou a parlamentar.
Balanço em Rondônia:
cinco mulheres vítimas fatais
O balanço do
Observatório Estadual de Segurança Pública de Rondônia, ofertado pela
Secretaria de Estado da Segurança, Defesa e Cidadania (Sesdec), referente ao
último período momesco, de 15 de fevereiro a 9 de março de 2025, revelou um
cenário alarmante de violência de gênero durante as festividades.
Ao todo, foram
registrados 723 casos de violência doméstica e familiar contra mulheres. O
levantamento aponta que as ameaças lideram as estatísticas, com 390 ocorrências
(53,9%), seguidas por 272 casos de lesão corporal (37,6%), deixando claro que a
violência contra a mulher continua sendo um problema grave, mesmo nos dias de
folia.
Além dos crimes de
proximidade doméstica, os índices de violência extrema também mobilizam as
autoridades e a segurança pública. Durante o intervalo analisado, Rondônia
contabilizou cinco vítimas fatais em crimes contra a vida, sendo quatro
homicídios dolosos e um registro de feminicídio.
Incentivo
Ieda Chaves encerrou
reforçando que a alegria do Carnaval não justifica o desrespeito. “Sem
consentimento, é crime. A informação é uma ferramenta de proteção, porque o
respeito não é uma escolha, é a regra. Convido todas a acessarem o conteúdo que
a equipe da PEM preparou especialmente para nós mulheres”, concluiu.
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