Sábado, 4 de abril de 2026 - 08h10

BRASÍLIA, DF – O cenário de crise na aviação
brasileira, confirmado nesta semana pelo anúncio de que a Petrobras elevará o
preço do Querosene de Aviação (QAV) em 55%, já estava no radar do Deputado Federal Thiago
Flores (Republicanos-RO) há 14 dias. Antecipando o impacto que o conflito no
Oriente Médio poderia ocasionar nas empresas aéreas que operam no Brasil, o
parlamentar protocolou duas emendas estratégicas à Medida Provisória (MPV)
1340/2026, conhecida como MP do
Diesel.
A Medida Provisória enviada ao Congresso
autoriza o Governo Federal a conceder subvenção econômica (subsídio) para a
comercialização de óleo diesel no território nacional. Para financiar esse
auxílio aos transportadores rodoviários e conter a alta dos preços, a MP criou
um novo Imposto de Exportação de 12% sobre o óleo bruto, prevendo arrecadar R$
15,6 bilhões.
Prevendo que o choque do petróleo atingiria
os céus com a mesma força que as estradas, Thiago Flores apresentou as emendas
nº 56 e 68 para expandir o alcance
da MP, que originalmente ignorava o setor aéreo. A emenda nº 56 propõe que o programa de subvenção da União inclua,
além do diesel, o querosene de aviação. Esta medida garante um desconto de R$
0,32 por litro para voos em
aeroportos regionais (municípios com menos de 1 milhão de habitantes). O
objetivo desta proposta é usar o imposto da exportação de petróleo para impedir
que o custo do combustível — que representa 30% das despesas das empresas —
seja repassado integralmente ao passageiro. Já a emenda nº 68, foca nos custos fixos das empresas propondo reduzir
gradualmente até zerar, em 2029, o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF)
sobre o aluguel (leasing) de aeronaves e motores, dando fôlego financeiro para
Azul e Gol manterem suas frotas sem cancelar rotas no interior.
"Protocolamos essas soluções há duas
semanas porque a logística nacional é uma só. Se o governo tributa o petróleo
para ajudar o diesel, é um erro deixar a aviação regional de fora. Com a alta
de 55% anunciada pela Petrobras, o passageiro do interior será o primeiro a ser
isolado com a queda nas ofertas de aeronaves. Todos nós vamos sentir no bolso o
aumento dos preços das passagens, que nas últimas semanas já foram elevadas em
20%, mas quem mora no interior, em cidades mais afastadas, vai sentir mais
ainda, porque além do preço, com certeza terá menos aviões operando",
alertou Thiago Flores.
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