Domingo, 15 de janeiro de 2023 - 12h09

O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, nesta quarta-feira (11/01), da
cerimônia de posse da ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, e da
ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara. O evento, realizado no Palácio
do Planalto, contou com a participação de diversos ministros, parlamentares e
autoridades, além de representantes dos povos indígenas e integrantes de
movimentos ligados à igualdade racial.
A posse ganhou ainda mais significado diante dos atos violentos
praticados no último domingo contra o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto
e o Supremo Tribunal Federal. Um dos momentos marcantes da cerimônia ocorreu
logo na abertura, quando o Hino Nacional foi cantado, em parte, na língua
Tikuna pela cantora e jornalista do estado do Amazonas, nascida na Região do
Alto do Solimões, djuena Tikuna e, em parte em português, pela cantora preta
Marina Íris.
A ministra Sonia Guajajara foi a primeira a tomar posse. Sua
apresentação, em mais um ato simbólico, foi feita pela deputada federal Célia
Xakriabá (PSOL), primeira mulher indígena a ser eleita deputada federal por
Minas Gerais. "A luta pela mãe terra é a mãe de todas as lutas",
resumiu a parlamentar, citando uma frase da própria ministra dos Povos
Indígenas. "Com a parentíssima ministra a ancestralidade toma posse",
prosseguiu Xakriabá.
Dirigindo-se ao presidente Lula, Sonia Guajajara agradeceu pela
confiança e ineditismo da Pasta e, na sequência, ligou a posse à luta que os
povos indígenas e os pretos travam há séculos, bem como aos atentados do último
domingo contra o Estado Democrático de Direito no país. "Presidente Lula,
eu o parabenizo pela coragem e ousadia de reconhecer a força e o papel dos
povos indígenas neste momento em que é tão importante o reconhecimento deste
protagonismo dos povos indígenas frente à preservação do meio ambiente e da
justiça climática ao criar esse Ministério inédito na história do Brasil",
declarou a ministra.
"Povos estes que resistem há mais de 500 anos a diários
ataques covardes e violentos, tão chocantes e aterrorizantes como vimos neste
último domingo aqui em Brasília. Porém, sempre invisibilizados! A partir de
agora, essa invisibilidade não pode mais camuflar a nossa realidade. Estamos
aqui, de pé, para mostrar que nós não iremos nos render", prosseguiu
Guajajara.
"A nossa posse aqui hoje, minha e de Anielle Franco, é o
mais legítimo símbolo desta resistência secular preta e indígena do nosso
Brasil. Nós estamos aqui hoje neste ato de coragem para mostrar que destruir
essa estrutura do Palácio do Planalto, do Supremo Tribunal Federal e do
Congresso Nacional, não vai destruir a nossa democracia", frisou a
ministra dos Povos Indígenas.
Ao longo de seu discurso, Sonia Guajajara ressaltou diversos
problemas enfrentados pelos povos indígenas no país e lembrou as milhares de
mortes durante a pandemia, os casos de intoxicações provocados por mercúrio do
garimpo ilegal e pelos agrotóxicos nas grandes lavouras, e as invasões em
territórios indígenas, entre outros.
"Não é mais possível convivermos com povos indígenas
submetidos a toda sorte de males, com desnutrição infantil e de idosos,
malária, violação de mulheres e meninas e altos índices de suicídio. Eu arrisco
dizer que muitos povos indígenas vivem uma verdadeira crise humanitária em
nosso país. Agora, estou aqui para trabalharmos juntos e para acabar com a
normalização deste estado inconstitucional que se agravou nestes últimos
anos", afirmou a ministra.
IGUALDADE RACIAL -- A apresentação da
ministra da Igualdade Racial foi feita por Camila Moradia, ativista social e
líder do Movimento por Moradia no Complexo do Alemão. "É com imenso prazer
que eu, Camila Moradia, cria do Complexo do Alemão, apresento a vocês Anielle
Franco, cria da Favela da Maré, Complexo da Maré. Anielle, sem dúvida, será uma
defensora ferrenha das políticas afirmativas", disse.
Emocionada, a ministra lembrou-se da tragédia que se abateu
sobre sua família com o assassinato de sua irmã, a vereadora do Rio de Janeiro,
Marielle Franco, em 2018. E prometeu empenho na luta por um país mais justo e
livre do preconceito e do racismo. "Desde o dia 14 de março de 2018, dia
em que tiraram a Marielle da minha família e da sociedade brasileira, tenho
dedicado cada minuto da minha vida a lutar por justiça, defender a memória,
multiplicar o legado e regar as sementes da minha irmã", recordou Anielle.
"A cerimônia de hoje guarda um simbolismo muito especial.
Depois dos atentados sofridos por esta casa e pelo povo brasileiro no último
domingo, pisamos aqui como um sinal de resistência a toda e qualquer tentativa
de atacar as instituições e a nossa democracia", prosseguiu. Anielle
Franco lembrou ainda que há 20 anos, durante seu primeiro mandato, o presidente
Lula criou a primeira Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade
Racial no Brasil e disse que o Ministério da Igualdade Racial representa um
avanço nesta causa.
"Daremos um passo à frente na institucionalização da luta
política antirracista com esse Ministério, trazendo o racismo para o debate
público, institucional, de um modo até então não vivenciado pela política
brasileira, uma conquista fruto das mobilizações sociais incessantes que
antecederam e culminaram nesse momento", frisou a ministra.
"Precisamos, enquanto sociedade, ter uma conversa franca e honesta que
países no mundo inteiro já estão fazendo: encarar a realidade de que essa
política da guerra nas favelas e periferias nunca funcionou. Pelo contrário.
Apenas segue dilacerando famílias e alimentando um ciclo de violência sem
fim", reforçou.
A ministra também agradeceu a todos os que estão a seu lado na
missão que ela terá pela frente. "A vocês dirijo o meu mais profundo
agradecimento por aceitarem esse desafio de reconstruirmos e avançarmos com as
políticas de igualdade racial neste país. Não menos importante, quero agradecer
às pessoas que aceitaram nosso convite para estarem aqui conosco, no palco
dessa cerimônia de posse, e que representam o Brasil que queremos construir:
com um protagonismo de mulheres, mulheres negras, quilombolas, povos de matriz
africana, ciganos, juventudes faveladas, indígenas, periféricas e povos de
comunidades tradicionais".
RACISMO -- Ao final da cerimônia, o presidente
Lula sancionou o Projeto de Lei nº 4.566 de 2021, que tipifica injuria racial
como crime de racismo. O Projeto de Lei altera a Lei nº 7.716, de 1989, e o
Código Penal de 1940, e prevê pena de suspensão de direito em caso de racismo
praticado no contexto de atividade esportiva ou artística e penas para o
racismo religioso e recreativo e para o praticado por funcionário público.
Currículo de Anielle
Franco
A ministra da Igualdade Racial nasceu na comunidade carioca da
Maré. Formou-se em Jornalismo pela Universidade do Estado da Carolina do Norte,
nos Estados Unidos, e em Inglês e Literatura pela Universidade do Estado do Rio
de Janeiro (UERJ). Defendeu seu mestrado em Relações Étnico-Raciais e hoje é
doutoranda pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), cursando
linguística aplicada. Ela também é uma das quatro brasileiras selecionadas, em
2021, para a nova edição Ford Global Fellow, programa que visa fortalecer
lideranças globais da Fundação Ford.
Currículo de Sonia Guajajara
A ministra dos Povos Indígenas é do povo Guajajara/Tentehar, que
habita nas matas da Terra Indígena Arariboia, no Maranhão. Internacionalmente
reconhecida por sua luta em defesa dos direitos dos povos indígenas, seus
territórios e por sua luta pelas causas socioambientais, Sonia fez parte da
Coordenação das Organizações e Articulações dos Povos Indígenas do Maranhão
(Coapima), da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira
(COIAB) e atuou como coordenadora executiva da APIB (Articulação dos Povos
Indígenas do Brasil).
Também integrou o GT dos Povos Originários e foi parte
fundamental na construção do relatório que mapeou as principais demandas e
prioridades para os povos indígenas, como a demarcação de terras --
completamente paralisada desde que Bolsonaro assumiu a presidência. Ela é
conselheira da Iniciativa Inter-Religiosa pelas Florestas Tropicais -- Conselho
vinculado à ONU, e participa, desde 2009, das discussões climáticas desde seu
território até as Conferências Mundiais do Clima (COP). Há anos, ela leva
denúncias ao Parlamento Europeu, entre outros órgãos e instâncias
internacionais.
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