Quarta-feira, 17 de dezembro de 2025 - 16h35

Os tempos modernos, absolutamente pós-modernos,
agudizaram inúmeros fatores da nossa trajetória e existência, e, por isso,
preferimos chamar de Vida Social.
Um
dos fenômenos mais antigos da história humana é a chamada Apropriação –
inclusive há uma tipologia penal denominada de Apropriação Indébita, indevida,
sem consentimento, sem pudores, como se fosse deste ou daquele o que não lhe
pertence, pois, de modo simples e direto, aquilo é daquele e não deste.
Na cultura universitária, a Apropriação não se
limita ao plágio, uma vez que, além do plágio, em si, há uma real transmutação
dos significados, sentidos, signos originais.
O
nazismo fez isso com a Suástica, retirando do seu lugar devido o signo basilar
entre Brâmanes e Budistas e, assim, transmutou-o; quando antes significava
vida, boa sorte, abundância, acabou ressignificada pelo Mal, e daí a Suástica
(com a imagem meio invertida, distorcida) passou a destilar a morte, a dor e o
sofrimento.
No
sentido que apresentamos aqui, a Apropriação se define como “tomar para si”, no
sentido oposto à Alienação – e que é “retirar de si”. Mas, o que vem a ser esse
“tomar para si”? Basicamente, tomar para si, para nós, o que não é seu, nem
meu, nem nosso.
Em
momentos amplos da formação social brasileira, o Sincretismo religioso surgiu
(surge) como dado ilustrativo: São Jorge e Ogum divisam a mesma divindade, por
exemplo. O Sincretismo é tão ativista na nossa origem cultural que a própria
miscigenação (somos um povo pardo) só é entendida em conjunto.
O
Sincretismo não promoveu uma Apropriação, mas sim uma espécie de simbiose, uma
troca viva que levaria a uma síntese cultural, retirando as influências
culturais do seu lugar comum. A simbiose é um entrelaçamento sustentado pela
coexistência contínua, pacífica, e que produz interdependência.
E, desse modo, o senso comum não se aplica aqui,
afinal, não foi mera transposição ou corruptela de um por outro: Ogum e São
Jorge continuam a ser quem eram e ainda são; todavia, no Brasil, um não existe
sem o outro. Estão sedimentados em si, sem estarem ensimesmados (como estavam
em suas origens).
Um
caso clássico de Apropriação também se verificou com o Movimento Hippie, quando
a produção artesanal – anticapitalista: individual, artística, voltada à
subsistência e referenciando uma contracultura – foi subvertida, subsumida e
monetizada na produção capitalista e em escala da Indústria de bijuterias. Ou
seja, a produção artesanal, com a Aura presente em cada técnica, foi subvertida
pela tecnologia marcante na lógica capitalista da mercadoria, agora na base do
valor de troca e do valor de uso.
Assim, vemos no exemplo da cultura Hippie que a
Apropriação não apenas desnaturalizou o evento, como ainda, profundamente,
levou à sua deturpação, corrosão, disrupção.
Comparativamente,
resta claro que o Sincretismo nada tem a ver com a famigerada Apropriação,
quando um indivíduo, um grupo, uma instituição, um sistema, se apropriam e
deturpam profundamente o significado originário do Outro. Na Apropriação não
apenas se nega a origem, como se faz voltar contra essa mesma origem o
resultado do que foi corrompido.
A apropriação parte da premissa (consciente ou
não, e isso só importa para se estabelecer a culpa ou o dolo) de que tudo é
oferta e demanda; logo, se o donatário não se identifica, nada está imune à
falta de decoro, de Ética, tanto quanto tudo se subordina aos interesses da
acumulação primitiva que há em cada ser social sem consciência de si e dos/as
outros/as.
Quarta-feira, 11 de março de 2026 | Porto Velho (RO)
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