Domingo, 5 de abril de 2026 - 10h55

O
governo do Estado de São Paulo irá segregar crianças e jovens entre as
“melhores e piores”. Certamente, a separação colocará brancos e negros em salas
distintas.
Como
exemplo concreto, no centro nervoso da Educação Paulista, está um “projeto
educacional” do tempo das nossas bisavós[1]. Trata-se de um
projeto falangista, racista, altamente segregador e excludente.
Esse
suposto projeto guarda um veneno específico, raivoso, uma mistura de elitismo
empresarial (financiadores) com capacitismo e meritocracia – sempre com base na
segregação e na exclusão.
Como
se sabe, a exclusão é o motor da negação.
O
que se nega é o conjunto de crianças e de jovens, em "proveito" de uns
poucos – que serão cooptados como massa de manobra pelo capital financiador.
Se
esse projeto já apresentou resultados desastrosos no passado, basta-nos
projetar o seu futuro.
É
a reinvenção de uma roda quebrada, quadrada, sem arco, negacionista da
inclusão.
É
óbvio que o objetivo é a cooptação, "dividindo para conquistar", e
assim negar o que deveria ser a guia central de toda a Educação Pública: a
emancipação.
É
um projeto de homogeneização que serve aos opressores, negando-se o pluralismo,
a diversidade, a própria realidade que cerca a todos nós.
O
resultado também virá, além do crescente negacionismo, com a intolerância e com
o aumento do ódio social.
No
fundo, é mais do mesmo, é uma tática das mais antigas, cheia de anacronismo e
indiferença social, essa que parte da segregação, exclusão e da negação final.
O
que me faz como professor, muitas vezes, duvidar da humanidade não é o fato de
"governantes" pensarem em absurdos ou, simplesmente, serem néscios,
mas sim o apoio que recebem de profissionais da educação. Mesmo com todos
os descalabros já efetivados por tais indivíduos.
No
popular, se os organizadores de tais projetos fossem avaliados hoje, estariam
na 5a série F. Peçam para que faça uma redação, nos moldes do Ensino
Fundamental II – mas só quem duvida.
Definitivamente,
a Educação Paulista afogou num projeto fascista qualquer lampejo de
Esclarecimento que um dia teve. O motor agora está na marcha a ré, ligado no
reacionário, secretário, no que há de mais embrutecedor.
A
Educação Paulista deveria ser impublicável, porque há poucas ações mais
antipopulares, antirrepublicanas, antidemocráticas, do que essa. Expressa
tão-somente o que pensam e desejam para o povo: o adestramento seletivo e
implacável que se abate sobre todos os subalternos, despossuídos e oprimidos.
É
um projeto profundamente racista porque, pela força da obviedade, será
implacável contra o povo pobre, negro e oprimido.
Alguém
lhes diga, na urna também, que não somos coisas que se separam em prateleiras.
Somos pessoas, somos um fim em nós mesmos, e não meios de enriquecimento.
Quarta-feira, 8 de abril de 2026 | Porto Velho (RO)
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