Segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026 - 13h32

Superando-se
a fase basilar de que apenas com condições materiais de trabalho minimamente
presentes, com jornadas que não excedam 20 horas, com remuneração digna ou
adequada – exatamente, para que trabalhadoras e trabalhadores da educação não
tenham que fazer bicos e também possam estudar –, podemos começar a pensar em
alguns elementos que formariam um tipo de desenho da Educação pública.
Há
muitas formas para se definir, entender, o que é Educação pública. Uma delas
seria conjugada, adjetivada, aditivada de certo modo, como: Educação
pública, gratuita, de qualidade e integral.
É
importante frisar desde a partida que a Coisa Pública deveria trazer assegurada
a gratuidade, porque, como sabemos, há muitos serviços públicos que cobram por
atividades que deveriam ser gratuitas. Veja-se as universidades federais
cobrando caro por cursos de extensão, especialização e outras.
Esse
é o desenho institucional, a forma ideal como eu vejo. Os meios bem básicos
estariam na garantia do ingresso e da permanência, por meio da Acessibilidade e
da Inclusão – essa é a única sequência viável, lógica, racional.
Os
objetivos atenderiam finalidades sociais, humanas. O primeiro objetivo, e
talvez o mais difícil, seja a efetivação do Pertencimento – depois do “acesso e
da inclusão”, quando, obviamente, a pessoa sente que "pertence ao
ambiente" –, quando o status vigente e a formalidade não o ofendem
e o neutralizam. Neste caso, obviamente, o oposto do Pertencimento é o
afastamento.
Quanto à necessária qualidade, devemos
pensar que é isso que se espera em qualquer fase educacional – sempre por meio
de uma relação de “ensino e aprendizagem” –, afinal, o objetivo maior é o Conhecimento;
essa é a meta.
Apesar
de não ser alcançável de qualquer modo, exigindo-se dedicação, metodologias,
essa busca pelo Conhecimento tem que ser uma aventura; por mais que nos desafie
e incomode, sempre tem que ser uma viagem em que parte da paisagem é construída
por quem está ali, agindo, investigando, “estudando”.
Não
é permitido esquecer que “estudar dói”, tira a paz, sempre incomoda e nos
desajusta porque já trazíamos “verdades”. Porém, é preciso desde já saber que o
Conhecimento não é inimigo da pessoa, e, se assim se apresentar, terá outro
nome e atuará contra a própria definição.
Desse
modo, com o Conhecimento tido como meta – e metas sempre podem ser revistas,
ajustadas –, pode-se pensar em qual Conhecimento seria adequado para nós, neste
breve século XXI. Será que produzimos Conhecimento para a Humanidade ou para
render prêmios, lucros e mero acesso ao sistema do capital?
E nesse momento pensemos que o Conhecimento
validável, construído e sacramentado pela Humanidade vai da lógica matemática à
sofisticação dialética. Vamos pensar também que 2 + 2 é igual a quatro, tanto
quanto a linguagem exige concordância verbal e que, na somatória, entender que
Norte e Nordeste não sendo a mesma região demográfica no Brasil nos inclina a
começar o combate ao preconceito e ao racismo.
Da alfabetização eficaz caminhemos até
um lugar desejado (a Utopia), porque nada irá se manter em pé sem isso. Pensemos
então que o Conhecimento – igualmente eficaz – não é aquele que se esconde de
alguns, para se manifestar a uns poucos. Se verificamos este sentido, se assim
o Conhecimento se apresentar ao menos inicialmente como um “convite
democrático” a ser aceito e (ele mesmo) interrogado, além de incluir, a
Educação pública iria apresentando outros convites: o sabor da Liberdade, da
Autonomia, da Emancipação.
Portanto, se o Conhecimento não se
rebaixa e nem isola uns poucos para cima e muitos para baixo, colocando-se ali
e aqui, podemos pensar que o status quo forjado, naquele lugar desejado,
além de diversificado na forma como se edifica o seu interior e assim, será
ele, o Conhecimento, um Manifesto para se conhecer (e se manifestar) ainda mais.
Mas,
para além disso, esse Manifesto será um convite social e individual; será
social porque esse novo status quo terá uma outra Cidadania e
consciência e será individual porquanto serão indivíduos bem diferentes dos
atuais, pois, serão indivíduos sem medo de ensinar e de aprender: o que é
essencialmente humano. Diz o ditado popular, acertadamente, que só “paramos de
aprender quando morremos”.
Por fim, a qualidade aqui pensada em
termos de Conhecimento agregado nos revela ainda incidências, desdobramentos
sociais, como o desenvolvimento da sociabilidade que nega a falsificação da
verdade (política, cultural, econômica), e individual, porque a Cidadania trazida
é capaz de exigir mudanças qualitativas, radicais (na raiz dos fatos e dos
problemas enfrentados) e obrigada pela lógica formal a pensar em termos não
usuais, atualmente.
Pensemos que o Pensamento predominante
(hegemonizado) associaria lógica e Ética para se pensar questões fundamentais
sempre de modo associativo, como: a Liberdade com o Pertencimento (sem o atual
sentimento de recusa e de afastamento), a Autonomia com a Responsabilidade, a
Emancipação com a Igualdade: o equilíbrio entre isonomia e equidade.
O que expusemos aqui é parte do Conhecimento
social que vem sendo construído há séculos e é claro que este breviário não anula
a obrigação do seu aprofundamento, da própria leitura histórica, crítica e da
epistemologia política que nos guiou nesta breve apresentação. Esse é o modelo
que pensamos “idealmente” (mas, eficaz, socialmente) em termos de Educação
pública, gratuita, de qualidade e integral.
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