Quinta-feira, 30 de junho de 2022 - 13h44

Há
alguns dias, tive oportunidade de conhecer um pouco do projeto BANZEIRO DAS CANÇOES,
cujo criador é o músico portovelhense Erivaldo de Melo Trindade, o Bado, como é chamado desde a infância.
Nós, que crescemos nesta região,
carregamos n’alma vida afora os sons dos animais da floresta, o saibo de pitiu das águas barrentas de nossos
caudalosos rios, a visão dos botos a saltar alegremente em meio as águas
profundas do Madeira, as lendas, histórias de sotaque caboclo ouvidas à luz do
majestoso luar destes recantos da Amazônia, céu de veludo azul escuro salpicado
de estrelas brilhantes a rodear a esplendorosa lua cheia: como não ser
arrebatada por um trabalho musical denominado Olhos de Rio, por exemplo? Vou mais fundo e encontro denominações
como Banzeiro das Canções, Grito de Cantadores, enfim, um universo
inteiro a ser desvelado; um universo projetado pelo amor à Amazônia, à música
que nasce das entranhas de nossas florestas, de tudo o que nela existe, à
musicalidade forte das cachoeiras, com suas suntuosas cascatas a misturarem-se
inteiras às águas que correm em ritmo frenético ao lugar que a natureza lhes
destinou.
Na busca pela origem dessas vozes que
refletem a essência de nossas florestas, chego ao SESC- PVH, onde nasceu o
movimento Grito de Cantadores, isto entre os anos 80 e 90. Quanta
diferença faz quando uma instituição dá vez e voz às pessoas certas; refiro-me
à excelente equipe que integrava o Departamento de Cultura do SESC à época. Quantos jovens talentos construíram uma
trajetória rica a partir desse movimento!
Quando o movimento perde a força, após atingir
seus objetivos, uma sucessão de outros movimentos
nascem da motivação e da criatividade desses jovens, tais como, Movimento
de Criação Cabeça de Negro, Projeto Cinco e Meia, Projeto Cine Clube Zumbi, entre tantos
outros. Destaco o “Cabeça de Negro”, por ter entre seus fundadores Adaídes Batista, o Dadá como é afetuosamente
chamado, expoente literário, poeta, escritor e compositor, membro efetivo da
Academia de Letras de Rondônia.
Voltando a Bado, seu projeto Banzeiro
das Canções, trabalho musical de excelência, reconhecido e aprovado
oficialmente, foi realizado com recursos oriundos da lei Aldir Blanc. Neste
projeto, Bado percorre sua trajetória, recebendo músicos que compartilharam
consigo momentos cujas memórias estão vivas e transparecem em suas expressões
musicais. Os depoimentos e apresentações desses parceiros, que testemunharam e
participaram dessa caminhada, emocionam pela autenticidade, pelas lembranças e,
sobretudo, pelo reencontro.
Começo destacando a participação de Júlio Yriarte, o idealizador do
movimento Grito de Cantadores, de
cuja fonte emergiram tantos talentos. Não pretendo, aqui, reproduzir dados
biográficos de todos os artistas. Porém, ao assistir à apresentação de Júlio,
encantou-me seu sotaque caboclo, aliado à fala de procedência boliviana;
encantou-me, também, a parceria com Bado (quantas histórias!). O ponto alto,
algo que me deixou deveras fascinada, foi ouvir a execução, por ambos, do chorinho de autoria de Júlio, Choro pra Dêga; ao ouvi-lo, reportei-me
a célebres nomes da música brasileira do passado, como Pixinguinha e Jacob do
Bandolim, por exemplo. Temos aqui grandes músicos, o que nos enche de orgulho.
Não sou especialista em música, porém, admiradora
fervorosa dos estilos musicais nascidos em nosso país; esta preferência
aumentou, ao longo de minha permanência de duas décadas, na capital cultural do
Brasil: o Rio de Janeiro, berço dos ritmos que mais arrebatam minha alma.
Emocionei-me com a caminhada de Bado e
Júlio, principalmente com o entusiasmo que emana desses artistas veteranos ao
discorrerem sobre seus trabalhos em prol da divulgação de nossa música. Quanta
beleza!
A autoria marcante de Bado, sua
parceria musical com muitos outros artistas, rompeu os limites das fronteiras
do estado de Rondônia, fundiu-se à música nascida em outras paragens da
Amazônia; desse modo, foi fortalecida a identidade da música produzida na
região Norte, a nossa região. O trabalho de Bado abrangeu parcerias com outros
grandes músicos do país, levando-o a figurar entre o pódio dos notáveis em sua
área de atuação, carregando consigo, sempre, nossa terra, como tema de suas
criações e apresentações.
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