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Bebê de Ji-Paraná (RO) participa de fato médico inédito do interior de SP


Bebê de Ji-Paraná (RO) participa de fato médico inédito do interior de SP - Gente de Opinião

Paciente de Ji-Paraná é um dos protagonistas de uma raridade na medicina do Noeroeste Paulista. O pequeno J.P.G.S., de 10 meses, foi uma das duas crianças a receber um transplante de coração, em um menos de 24 horas, no Hospital da Criança e Maternidade (HCM) de Rio Preto (SP). Os procedimentos foram realizados em sequência, nos dias 19 e 20, e o menino ji-paranaense foi o segundo a passar pelo procedimento.

Outro fato a comemorado pela equipe do Serviço de Cardiologia e Cirurgia Cardiovascular Pediátrica (Secccap) do HCM é que os bebês são os pacientes mais novos a receberem corações, nos 17 anos de existência.

Foram, ao todo, 42 horas ininterruptas de trabalho para que as duas cirurgias fossem bem-sucedidas. Os pacientes, que tinham cardiopatias congênitas e baixa expectativa de vida, estão internados na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do HCM e o estado de saúde de ambos era estável, com evolução clínica positiva, até o meio-dia desta sexta-feira.

E.V.S.P., nascida em São Carlos (SP), apresentou problema cardíaco no sétimo mês de vida. Após exames e encaminhamento, a bebê foi internada no HCM há três meses. A mãe da paciente, Karina Silva, recebeu a notícia de um novo coração para a filha, no dia 19 de fevereiro, terça-feira. Começou, por volta das 19h, a saga complexa entre buscar o órgão do doador na capital paulista e finalizar a cirurgia em Rio Preto.

Quando a pequena recebeu alta para a UTI, no final do procedimento, na quarta, 20, de fevereiro, por volta das 8h, a equipe do Seccap recebeu a informação da disponibilidade de um outro coração; desta vez, compatível com o paciente J.P.G.S. O bebê, originalmente de Ji-Paraná (RO), nasceu com um problema cardíaco e estava no HCM há, também, 3 meses. Os pais do menino já estavam radiantes pela conquista da colega de quarto, Karina, com quem já vinham dividindo experiência ao longo do tratamento dos filhos, e não puderam se conter. “É um milagre. Até brincamos com a Karina quando soubemos do coração da filha dela, dizendo ‘já pensou um transplante no dia seguinte do outro?’. E não é que veio! Não há felicidade maior! Fica a lição de que mesmo na tristeza, pode-se fazer outras pessoas felizes por meio da doação”, contou Demilso Gonzaga, pai do segundo transplantado.

Dr. Ulisses Croti, chefe do Seccap, frisou a importância da solidariedade para continuidade de muitas vidas. São 20 mil crianças por ano que nascem com algum problema cardíaco, todo ano no Brasil. Destas, nem metade recebem tratamento ou cirurgia adequada, por falta de vaga e equipes qualificadas. Por isso, queremos ampliar nossos trabalhos, para conseguir atender ao máximo de crianças, de maneira plena. E, para isto, também temos de ressaltar a importância da doação de órgãos. A vida depende disto”, reforçou o cirurgião cardiovascular pediátrico.

Também participaram do pré e pós-cirúrgico, os médicos cardiologistas pediátricos Carlos de Marchi, Alexandra Siscar e a intensivista pediátrica, coordenadora da Unidade de Terapia Intensiva Cardíaca do HCM, Karolyne Barroca.

 

HCM é referência nacional em tratamento de cardiopatias congênitas

O Seccap existe desde 2002 e, neste 17 anos, foram mais de 4 mil cirurgias para tratamentos de cardiopatias congênitas (aquelas em que os bebê já nascem com a doença do coração), dentre elas seis transplantes em crianças.

Sendo um dos poucos Serviços especializados no país, o HCM recebe crianças do pais inteiro para tratamento de doenças cardíacas de crianças e conta com mais de 140 profissionais da saúde, multidisciplinares e médicos.

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