Porto Velho (RO) quarta-feira, 3 de junho de 2020
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Viviane Paes

História & Estórias do Dia da Internacional da Mulher - A Ex-Doméstica, mãe de Enfermeiro


História & Estórias do Dia da Internacional da Mulher - A Ex-Doméstica, mãe de Enfermeiro - Gente de Opinião

1911: O primeiro dia oficial da mulher foi celebrado, em 19 de março de 1911, na Alemanha, resultado da Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas.

A Ex-Doméstica, mãe de Enfermeiro

Essa é uma estória dita como comum, mas não normal e menos sofrida da vida de milhares de brasileiras, negras e mães solteiras. A pernambucana, Helena Maria dos Santos, 64 anos, veio de Olinda contratada como babá de uma família que se mudou para Porto Velho. Depois de algum tempo saiu desse emprego e começou a trabalhar como diarista e empregada doméstica. Ficou grávida, solteira, mas nunca desanimou. Evangélica, de sorriso fácil, sempre conquistou amigos fiéis, mas sua vida ganharia um novo sentido com o nascimento do filho Auleliano Adonias dos Santos.

Durante muitos anos morou de aluguel em diversos bairros da capital, até conseguir comprar um terreno no bairro Marcos Freire, zona Leste da cidade e construir a sonhada casa própria. Por aqui residiu mais de vinte anos.

Aos 18 anos, Auleliano, apelidado de Leoh, terminou o ensino médio e prestou o Enem. Obteve nota para cursar Enfermagem em uma das mais renomadas faculdades do Pernambuco, a tradicional Maurício de Nassau. A paixão pela Enfermagem surgiu ainda quando era menino e via uma amiga de sua mãe toda arrumada, com jaleco branco ir para os plantões nos hospitais públicos de Porto Velho: HB, João Paulo e Cemetron. 

Para realizar esse sonho do único filho, Helena não pensou duas vezes. Vendeu a casa, seu único patrimônio e voltou à terra natal. Lá, Leoh conseguiu bolsa integral, sem cota, pelo Pro Uni. Também foi aprovado para cursar Teatro, na Universidade Federal de Pernambuco, mas adiou esse sonho porque precisava de uma carreira mais segura para cuidar de sua mãe.

Durante o período que o filho cursava a faculdade, Helena conciliou o serviço de diarista com o supletivo à noite. Concluiu o ensino médio e emendou com o curso de Cuidadora de Idosos. Foram anos de muita luta e estudo para a mãe e o filho! Ás vezes os corpos cansados pelos percursos longos de ônibus, trechos a pé pela periferia de Olinda, quase os fazia desistir, no entanto, a esperança e fé por dias melhores eram maiores e os fortalecia!

Com o diploma de Enfermeiro em mãos, sem formatura porque não havia dinheiro, Leoh começou a lecionar em cursos técnicos de Enfermagem e Helena a trabalhar como cuidadora, uma atividade menos cansativa fisicamente que as faxinas, cujo esforço de décadas causou sequelas em seu corpo!

Sempre muito estudioso e buscando estabilidade profissional, Leoh foi aprovado em um concurso público no município de Caruaru! Durante dois anos, Helena morou longe do filho que só voltava para Olinda a cada 15 dias. Ela ficava numa casa alugada e ele numa pensão. O sacrifício de mãe e filho resultaria numa vida mais estável e tranquila.

Atualmente, os dois residem novamente juntos numa confortável casa própria! Helena adora fazer longas caminhadas, ir à igreja e cuidar do lar! O maior orgulho do filho Leoh é ter cumprido a promessa que fez quando era menino, de tirar a mãe do trabalho doméstico nas casas alheias, e o dela de ter criado sozinha, sempre amparada por Jesus Cristo, um ser humano íntegro, generoso e batalhador!

Helena, mais uma mulher de coragem e fé!   

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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