Terça-feira, 25 de agosto de 2020 - 10h06

Costuma-se dizer que o povo tem a força numa democracia, o
que não deixa de ser uma verdade. Em termos práticos, porém, muitos são os
mecanismos que impedem a participação popular no jogo do poder politico. Um
desses mecanismos remete à falsa ideia de que o bem-estar de uma sociedade
deriva, por exemplo, de algum tipo de super-herói, alguém com poderes mágicos
para conduzir o povo a um destino melhor. Pura balela. A maior possibilidade de
que isso venha a ocorrer está na maneira como a população se comporta diante de
seus representantes, nos três níveis de poder.
Aproveitando que, muito em breve, vivenciaremos uma temporada
de campanha eleitoral, não custa lembrar Nicolau Maquiavel, para quem a
estabilidade politica depende de boas leis e instituições sólidas, e que a
energia criadora de uma sociedade livre não é dádiva de heróis. Ela decorre do
confronto entre os grandes e o povo. Ou, colocado de outra maneira, entre o
povo e aqueles que o povo elege para representá-los, por entender que os
conflitos sociais são próprios à natureza mesma da liberdade.
No momento em que o eleitor de Porto Velho se prepara para participar
de mais um dever cívico, seria bom que ele assumisse realmente uma postura
conflitante com os políticos que têm responsabilidade direta com os problemas
sociais que se manifestam em todos os setores da vida municipal. A Justiça
Eleitoral trabalha de modo a preparar o pleito que se aproxima, realizando,
assim, a parte dela. Logo, os candidatos terão vez e voz no horário eleitoral
gratuito, procurando dar o recado deles. Depois, será a vez de o eleitor, em
última análise e na condição de principal fiador e beneficiário da democracia,
encarar os seus conflitos sociais, procurando estabelecer, nas urnas, uma
postura clara e incisiva nesse sentido. Sem isso, jamais conseguiremos nos
livrar das tranqueiras que impregnam a seara politica.
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