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A Importância da Rede de Apoio para os 60+


 A Importância da Rede de Apoio para os 60+ - Gente de Opinião

Rede, rede, rede. Há muito tempo se sabe da importância das redes de apoio para a saúde mental e o bem-estar de todos nós. Segundo as conclusões daquela longeva pesquisa de Harvard – que já dura 75 anos –, mais do que dinheiro e fama, felicidade é se sentir acolhido e pertencente a um grupo social. A partir dessa premissa, vários quadros clínicos ganham sentido. A depressão, por exemplo, que tem como um de seus vetores a solidão. Como espantar a solidão? Fazendo parte de grupos de pessoas com quem possamos expressar nossas alegrias, nossas dores e compartilhar conquistas, expectativas, sonhos, dúvidas.

A presença constante de amigos, vizinhos e familiares é um fator protetor essencial. Conversar, rir, dividir lembranças e até mesmo resolver problemas cotidianos em boa companhia tem um efeito direto no bem-estar emocional. Ter com quem contar — para uma consulta médica, um passeio ou apenas um café — faz diferença concreta na autoestima e na sensação de pertencimento. Especialmente entre adultos maiores de 60 anos.

Envelhecer pode ser uma experiência rica em sabedoria, liberdade e novas descobertas. No entanto, também pode trazer desafios emocionais, para aqueles que não contam com redes de apoio. No Brasil, mais de 14 milhões de pessoas vivem sozinhas, segundo dados do IBGE. A porcentagem de domicílios em que vive apenas uma pessoa deu um salto significativo, passando de 12,20% em 2010 para 18,9% em 2022. Deste total, o maior grupo (28,7%) ainda é o de pessoas com 60 anos ou mais: cerca de 6 milhões de brasileiros idosos vivem sozinhos. Apenas em São Paulo somos quase 1,4 milhão.

A solidão, uma realidade comum nessa faixa etária, tem se tornado um fator de risco significativo não apenas para a depressão, mas para outras questões de saúde mental. Estudos mostram que idosos que mantêm vínculos sociais ativos apresentam menor incidência de depressão, doenças cardíacas e declínio cognitivo. A interação frequente estimula o cérebro, dá propósito à rotina e reforça o senso de valor pessoal. Mesmo em tempos digitais, uma chamada de vídeo ou uma mensagem carinhosa já amenizam o sentimento de isolamento.

É fundamental que famílias, comunidades e serviços públicos incentivem o fortalecimento dessas redes. Projetos de convivência, grupos de lazer, atividades culturais e voluntariado são caminhos eficazes para aproximar as pessoas 60+ de relações saudáveis e gratificantes. O contato humano ainda é o melhor remédio contra o abandono emocional.

Por isso, se você tem um parente, vizinho ou conhecido nessa faixa etária, procure manter o vínculo vivo. E, se você tem mais de 60, saiba que sua presença importa — e muito. Criar e manter laços é um ato de cuidado mútuo, e ninguém deve envelhecer sozinho.

*Denise Ribeiro é jornalista, escritora premiada, mediadora de conflitos e trabalha em projetos de ressignificação da maturidade. tualmente integra o 60+EM MOVIMENTO, um serviço de concièrge para pessoas 60+.

Instagram @60Movimento

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