Segunda-feira, 13 de abril de 2020 - 20h41

O Brasil é um
país paradoxal. Isso para não dizer coisa pior. Depois de ser acusado e
condenado como mentor do maior esquema de corrupção de que se tem noticia na
história mundial, ao invés de merecer o desprezo por parte da população, o
cidadão passa a ser ainda mais endeusado por lunáticos, que pregam a igualdade
de direitos, mas, na prática, não conseguem conviver de maneira respeitosa com
os opostos. Pouco importa se o cidadão realizou o melhor dos governos. Fato é
que deixou o cargo levando na bagagem a mácula de corrupto.
É
inacreditável, mas parece ter-se incorporado a conduta de algumas pessoas a
crença do “rouba, mas faz”. Ou, então, “se ele não roubar, outro vem e rouba”.
Isso tem justificado o aparecimento de muitas falcatruas. Nada pior para o
sentimento de cidadania do que procedimento que se apoia nos pressupostos acima
indicados. Ladrão é ladrão aqui e em qualquer parte do mundo. Inútil é tentar
escamotear a verdade ou pretender suavizar o substantivo para confundir a
cabeça de incautos, como se a sociedade fosse constituída apenas de idiotas,
que não conseguem enxergar além do próprio umbigo.
O individuo
que passa a mão na cabeça de politico corrupto está renunciado aos seus
direitos de cidadão, dando, portanto, um péssimo exemplo aos que o cercam. No
estado democrático de direito cabe ao cidadão cumprir e exigir o cumprimento
dos mandamentos legais, concorde ou não com os dispositivos da lei. Ele precisa
levar sua insatisfação às instituições e pessoas que o representam, nas mais
diferentes esferas de poder.
Os
acontecimentos não deixam margens a questionamentos. Houve acusações, muitas
delas sobejamente provadas e comprovadas. Tanto que o dito cujo foi condenado
em várias instâncias. Então, por que insistir em querer tapar o sol com uma
peneira? Melhor aceitar que dói menos. Esse negócio de achar que todo mundo é
idiota, não cola. A politica do “rouba, mas faz” não cabe mais na moldura dos
tempos modernos. Só os bobos da corte ainda não se deram conta disso. É melhor
tirar o antolho.
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