Porto Velho (RO) quarta-feira, 11 de março de 2026
opsfasdfas
×
Gente de Opinião

Artigo

A proteção das crianças na Internet: indefinição jurídica que enfraquece a responsabilização e favorece a impunidade


Paulo Serra - Gente de Opinião
Paulo Serra

Nos últimos dias, um vídeo publicado pelo youtuber Felipe Bressanim Pereira, o Felca, acendeu um debate que não pode ser ignorado: até onde vai e como deve ocorrer a exposição de crianças nas redes sociais?

A Internet é um espaço de oportunidades, mas, também, de ameaças. Quando envolve menores de idade, o perigo se multiplica: exploração sexual, aliciamento, bullying, uso indevido de imagem, entre outros crimes não menos graves. No caso levantado pelo influencer, a preocupação se amplia pela ligação com temas sensíveis, como pedofilia e difusão de conteúdo ilegal.

Não de hoje, uma boa parte do que circula on-line fica numa espécie de “limbo jurídico”. Não está claro quem deve responder: o usuário que publicou, a plataforma que permitiu a circulação, ou ambos? Ao meu ver, tal indefinição enfraquece a responsabilização e favorece a impunidade. Afinal, o que é aceitável na rede? Precisamos falar em regulamentação, sim!

Importante frisar que não se trata de censura, mas de se criar no País regras mais objetivas, a fim de evitar que a liberdade de expressão seja utilizada como escudo na prática de delitos - é garantir que crianças estejam resguardadas por uma legislação eficaz, com rigorosa fiscalização e exemplar punição.

O Brasil já detém dispositivos legais nesta seara, como o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a Lei “Carolina Dieckmann” e o Marco Civil da Internet. Contudo, na prática, muitas vezes, a aplicação falha em razão de investigações demoradas, falta de preparo técnico por parte das autoridades envolvidas nas elucidações, dificuldade de cooperação com empresas de Tecnologia, e morosidade judicial - só para citar algumas das dificuldades enfrentadas.

A dúvida, portanto, é legítima: precisamos de leis mais duras ou de mais eficácia na aplicação das que já existem? Talvez a resposta esteja no meio-termo: atualizar normas para o ambiente digital em voga e, ao mesmo tempo, investir na capacidade de investigação e punição.

Infelizmente, debates como este em tela, por vezes, acabam capturados pela polarização política “violenta” e pouco produtiva com a qual lidamos, infelizmente, já há alguns anos. Em vez de buscar soluções concretas, o tema, então, vira palanque ideológico.

Ao meu juízo, está mais que na hora de o Brasil abandonar a lógica do “quem está certo ou errado” com base em bandeiras partidárias. O País precisa é de gestão eficiente, com direito a ações coordenadas entre Estado, plataformas, especialistas em Segurança Digital e sociedade civil. Isso inclui, por exemplo, a criação de protocolos claros de remoção de conteúdo ilegal, investimento em detecção tecnológica automática, treinamento de policiais e juristas, e campanhas de conscientização para pais e responsáveis, entre um sem-número de possibilidades.

Tal discussão não é um capricho ou uma pauta de momento. Ela envolve o direito fundamental de crianças e de adolescentes à uma vida segura, inclusive no ambiente digital. Portanto, é essencial que pais, educadores, legisladores, empresas de Tecnologia e usuários, ou seja, todos, participem deste diálogo. O objetivo deve ser único: proteger quem ainda não pode se defender sozinho. O importante é não ficarmos inertes. Porque quando se trata da segurança das nossas crianças, cada dia sem ação é um risco que não podemos correr.


*Paulo Serra é especialista em Gestão Governamental e em Políticas Públicas, pela Escola Paulista de Direito; e em Financiamento de Infraestrutura, Regulação e Gestão de Parcerias Público-Privadas (PPPs), pela Universidade de Harvard (Estados Unidos); cursou Economia, na Universidade de São Paulo (USP); é graduado em Direito, pela Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo-SP; professor universitário, é presidente da Executiva Estadual do PSDB de São Paulo e foi prefeito de Santo André-SP de 2017 a 2024.

Gente de OpiniãoQuarta-feira, 11 de março de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

O investimento invisível que protege o lucro e as pessoas

O investimento invisível que protege o lucro e as pessoas

No universo corporativo, a menção a uma Norma Regulamentadora costuma despertar, de imediato, uma associação com burocracia, fiscalização e, princip

Pagamentos simples para vendas ocasionais e informais

Pagamentos simples para vendas ocasionais e informais

Nem todo mundo vende todos os dias ou mantém um negócio com rotina fixa. Muitas pessoas realizam vendas ocasionais, atendimentos pontuais ou cobranç

Cassinos online reagem à possível Cide-bets e citam risco de avanço do mercado ilegal

Cassinos online reagem à possível Cide-bets e citam risco de avanço do mercado ilegal

Contribuição de 15% sobre depósitos foi retirada do projeto antifacção, mas pode ser reapresentada em novo texto no CongressoO setor de apostas espo

Os arquétipos femininos como espelhos da alma humana

Os arquétipos femininos como espelhos da alma humana

Por que a mulher, mesmo desempenhando bem os papéis que a vida lhe confiou, por vezes não se sente plena? Onde reside a verdadeira realização da nat

Gente de Opinião Quarta-feira, 11 de março de 2026 | Porto Velho (RO)