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Eu só queria poder dar um abraço na minha mãe

Podemos esquecer o que vemos, esquecer o que ouvimos; mas jamais esquecemos o que sentimos


Eu só queria poder dar um abraço na minha mãe - Gente de Opinião

Aproxima-se o Dia das Mães. E eu sei que para o bem da minha mãe, que é idosa, seus filhos e netos devem evitar contato físico com ela nestes tempos de pandemia. É muito doído não podermos expressar num abraço o carinho por quem nos gerou. Até nisso o corona afetou nossas vidas.

Hoje eu me pego pensando se algum dia imaginávamos que seria possível alguma coisa nos impedir de abraçarmos a pessoa que tanto amamos. A pandemia, que hoje nos faz até adquirirmos o costume de usar máscaras, é algo que nem os melhores autores de ficção ousaram supor que um dia nos atingiria dessa forma.

Esses dias de isolamento que estamos vivendo jamais vão sair de nossas cabeças. Não pelos números mostrados na televisão, nem pelas dificuldades econômicas. Podemos esquecer o que vemos, esquecer o que ouvimos, mas jamais esquecemos o que sentimos. É esse sentimento de impotência que não esqueceremos nunca.

Sei que essa dor de um Dia das Mães com distanciamento, sem abraço, sem beijo, não é só minha, mas de centenas de milhões de pessoas no mundo inteiro. Mas isso me faz também refletir sobre aqueles que já não têm mais a quem abraçar, mesmo que pudessem. Como li uma vez num poema da Emily Dickinson, “o mundo fica um lugar meio esquisito depois que nossos pais vão embora”.

Assim, o que me consola é saber que ainda posso expressar de alguma forma a meus pais todo o sentimento, todo o carinho que tenho por eles, ainda que seja em um bate-papo a distância, graças ao celular. Mas espero que tudo isso passe logo. E que muito breve eu possa novamente dar um abraço na minha mãe. E lhe falar ao pé do ouvido das coisas que aprendi também sendo mãe.

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