Quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026 - 16h16

O Brasil vive uma das maiores contradições do seu tempo: enquanto
há urgência por infraestrutura e equipamentos públicos de qualidade, milhares
de obras seguem inacabadas, paralisadas ou atrasadas. De acordo com o Tribunal
de Contas da União, mais de 11,9 mil obras
públicas estão paralisadas, o que
representa cerca de 52% dos
empreendimentos em andamento. Somente essas
interrupções já consumiram R$9 bilhões
dos cofres públicos e exigiram outros R$ 20 bilhões
para conclusão. O resultado é um ciclo de desperdício e frustração, com
prejuízos estimados em mais de R$ 110 bilhões
ao país. As áreas de saúde e educação são as mais afetadas, concentrando 72%
das obras paradas.
Os motivos são conhecidos: falhas de planejamento, orçamentos mal
dimensionados, ausência de fiscalização e contratação de empresas sem
capacidade técnica. Mas a pergunta que devemos fazer é: por que insistir nos
mesmos métodos que geram resultados ineficientes? O modelo de construção
tradicional, artesanal e dependente de condições climáticas, não é compatível
com a complexidade das demandas públicas modernas. É preciso industrializar o
processo construtivo, e o steel frame surge como uma das soluções mais eficazes
para transformar essa realidade.
Trata-se de um método industrializado, previsível e rastreável,
que reduz o tempo de execução em até um terço quando comparado à alvenaria
convencional. É uma obra mais leve, que demanda menos mão de obra e com
praticamente zero imprevistos orçamentários e de prazos de entrega. Mais que
velocidade, o steel frame garante qualidade, desempenho térmico e acústico
superior, e permite personalização de projetos para atender desde escolas e
unidades de saúde até habitações populares.
Mesmo representando uma pequena parte da
construção no Brasil, essa eficiência já é comprovada no setor privado, mas
para que o setor público também colha os benefícios dessa mudança, é preciso
coragem e atualização normativa. Licitações devem incorporar critérios técnicos
que privilegiem desempenho, produtividade e sustentabilidade, e não apenas o
menor preço. É fundamental que gestores públicos entendam que a previsibilidade
orçamentária e o cumprimento de prazos dependem diretamente do método
construtivo escolhido. O steel frame oferece controle de custos e cronogramas
porque tudo é pré-fabricado e montado conforme projeto executivo — eliminando
grande parte das incertezas e retrabalhos típicos das obras tradicionais.
Assim como a indústria automobilística não
monta carros a céu aberto, a construção civil também precisa abandonar
processos improvisados e apostar em sistemas inteligentes, de precisão e
escala. O desafio, portanto, não é técnico — é cultural. É preciso superar a
ideia de que inovação na construção é sinônimo de risco. O verdadeiro risco
está em manter-se preso ao passado. A adoção do steel frame nas obras públicas
pode significar não apenas economia e eficiência, mas também um legado de
infraestrutura duradoura, sustentável e de qualidade para milhões de
brasileiros.
O Brasil não pode desperdiçar tempo e recursos. Temos tecnologia, capacidade
produtiva e conhecimento para transformar a forma como construímos escolas,
hospitais e moradias. Falta apenas vontade de fazer diferente. E quando o setor
público se abrir à construção a seco, o país finalmente dará um passo concreto
em direção a um futuro mais ágil, sustentável e inteligente.
*Rubens Campos, CEO da Espaço
Smart, primeira loja de casas do
Brasil
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