Terça-feira, 12 de março de 2013 - 13h15
O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) realiza, nos dias 13 e 14 deste mês, Encontro Estadual de Rondônia na Sede Social do Sintero, em Porto Velho. A expectativa é reunir cerca de 300 coordenadores dos grupos de base das comunidades da região, além de movimentos e organizações parceiras, como a Via Campesina e a Plataforma Operária e Camponesa para a Energia. O evento faz parte da Jornada Nacional de Lutas que o MAB realiza no dia 14 de março, Dia internacional de lutas contra as barragens, pelos rios, pela água e pela vida.
O encontro busca trazer um debate mais qualificado sobre a questão energética, além de apontar os responsáveis pelas grandes obras que geram impactos sobre a população de toda a região. “É preciso entender o setor energético, para que e para quem está a serviço, assim também é necessário apontar os responsáveis, como no caso do Rio Madeira, as empresas GDF Suez- Tractbel e Odebrecht, donas de Jirau e Santo Antônio, respectivamente. A privatização do setor cria atingidos, não só na beira do rio, mas nos canteiros de obras, nas cidades e na conta de luz de cada cidadão”, explica Cazu, coordenador estadual do MAB.
14 de março
No dia 14 de março, “Dia Internacional de Lutas Contra as Barragens, Pelos Rios, Pela Água e Pela Vida”, o MAB realizará por todo o país ações de reivindicação para a criação de uma Política Nacional de Direitos para as Populações Atingidas por Barragens.
Na avaliação do movimento, esta política deve garantir a reparação satisfatória dos direitos dos atingidos por barragens, definir órgãos responsáveis e um fundo de recursos, além de mecanismos para um profundo processo de participação e controle popular. Este é, para o MAB, mais um passo na luta dos atingidos para a construção de um Projeto Energético Popular, que contemple os direitos dos trabalhadores do campo e da cidade.
“Temos com o povo brasileiro o compromisso de denunciar as violações aos direitos humanos que se agravam a cada momento com a construção das usinas hidroelétricas em todo o Brasil, como em Rondônia. Existe um passivo histórico com os atingidos pela UHE Samuel. As usinas de Santo Antônio e Jirau trouxeram consequências lastimáveis às famílias atingidas. Porto Velho, Jaci Paraná, Baixo Madeira e outras regiões sofrem com os impactos gerados pela obra. Precisamos unir forças para conseguir implantar uma política pública que dê um suporte jurídico, legal para os direitos dos atingidos”, afirma Cazu da coordenação estadual do MAB.
A Questão Energética na Amazônia Brasileira
No dia 20 de março, será realizado na UNIR (Universidade Federal de Rondônia) o seminário ”A Questão Energética na Amazônia Brasileira”. O objetivo da atividade é ampliar o diálogo do movimento com a sociedade e demais organizações, sobre como os impactos das barragens é especialmente desastroso nos territórios das populações amazônidas ao mesmo tempo em que neles estão previstos inúmeros projetos de hidroelétricas atrelados a interesses privados e a lógica de reestruturação do sistema capitalista em contexto de crise.
Fonte: Ascom
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