Quarta-feira, 8 de abril de 2026 - 15h38

Entre a
ingenuidade conveniente e o descaramento institucional — há quem ainda
acredite que o galinheiro está seguro. …guardião virou
predador do sistema que deveria proteger… mas se protege.
Quando o
galinheiro vira sistema — e a fiscalização se reduz a um exercício de conveniência
institucional,
a razoabilidade se dissolve — e o sistema passa a se sustentar na própria
distorção
Será que perdi a noção… ou estamos todos
assistindo, com naturalidade inquietante, à normalização do
absurdo?
Quando
cifras milionárias
gravitam ao redor das mais altas esferas do poder e nomes sensíveis entram no
radar público, o
que se espera de uma República minimamente séria?
Rigor,
investigação independente e transparência irrestrita.
Mas não.
O que se
observa, com uma previsibilidade quase didática, é o
refinamento de um mecanismo antigo:
a blindagem
institucional travestida de normalidade.
E não deixa
de ser irônico — para não dizer
revelador — que, há 19 anos, na
condição de cidadão, encaminhei ao então presidente da CCJ do Senado, o senador
Bernardo Cabral, a sugestão de um estudo sobre a necessidade de controle
externo do Judiciário.
O parecer técnico
veio com a tranquilidade de quem acredita no improvável:
o controle
interno vigente seria plenamente suficiente.
Em outras
palavras, concluiu-se — com seriedade acadêmica e conforto
institucional —
que:
uma raposa é perfeitamente
capaz de investigar outra… mesmo após o
desaparecimento das galinhas e dos pintinhos.
Ingenuidade,
identificação com a imoralidade, má fé,
ou um grau
elevado de sofisticação na arte de fingir que o problema não existe?
Porque o modelo,
na prática,
parece simples:
– quem deveria ser
fiscalizado participa do próprio processo de
fiscalização
– quem deveria
esclarecer, frequentemente se resguarda
– e quem ousa
questionar… passa a
ser o inconveniente da história
E é aqui que
o fenômeno se
revela em sua forma mais pura:
o corporativismo
não como desvio — mas como engrenagem.
Não se trata de
afirmar culpa sem prova.
Isso seria
leviano.
Mas também não se trata de
aceitar silêncio
como resposta.
Isso seria
conveniente demais.
O problema não
está apenas
nos fatos —
mas na forma
como eles são (ou deixam de ser) enfrentados.
Porque, quando
suspeitas relevantes não produzem reações proporcionais,
quando o
desconforto institucional é seletivo,
quando a
transparência
se torna opcional…
o que se
compromete não é apenas um caso isolado —
é a própria
confiança
pública na Justiça.
E aqui surge o
ponto mais incômodo — aquele que
muitos preferem não encarar:
Como
esperar que a Justiça puna com autoridade moral o criminoso comum,
se, nos níveis mais altos,
a percepção
pública passa a enxergar proteção onde deveria haver rigor?
Mas talvez o
mais curioso —
e ao mesmo tempo preocupante —
não esteja apenas
nas estruturas.
Está também nas
reações.
Há uma parcela da
sociedade que, por uma espécie de cegueira intelectual de
nascença — ou
confortavelmente adquirida —, se apressa em defender o indefensável, relativizar
o questionável e
atacar qualquer tentativa de escrutínio.
Não investigam.
Não
questionam.
Não ponderam.
Apenas aderem.
São os fiéis de
uma lógica curiosa:
se está no topo, deve
estar certo —
e quem duvida, incomoda.
Transformam
suspeitas em tabu,
questionamentos
em heresia,
e a crítica em ofensa.
E assim, entre a
passividade e a conveniência, ajudam a sustentar exatamente aquilo que, em
tese, deveriam repudiar.
Talvez — apenas talvez — a proposta de 19
anos atrás não fosse
exagero,
mas um alerta
prematuro ignorado com a tranquilidade de quem acredita que sistemas se
autocorrigem…
mesmo quando não querem.
Hoje, a
realidade parece menos teórica — e mais didática.
E a pergunta que
permanece, incômoda e
insistente, é simples:
quem vigia os
vigilantes… quando
os vigilantes contam com a proteção daqueles que se recusam a enxergar?
— Quando o
galinheiro vira sistema — e a fiscalização se torna conveniência
institucional, sustentada por quem renunciou a raciocinar livremente com alguma razoabilidade.
Quarta-feira, 8 de abril de 2026 | Porto Velho (RO)
Na omissão do IBAMA, a verdade sobre o consumo de carne silvestre evapora — e a República da Paca prospera, enquanto cidadãos sensatos seguem à espe

A Ilusão do Olhar sob um Limitado Ângulo
English version attachedEntre a ignorância confortável e a coragem de pensar além — rompendo com o olhar único como tendência doutrinária, costuma

Livre-arbítrio legitima a eutanásia
ENGLISH VERSION ATTACHEDLeis naturais não podem ser atropeladas pela insanidade humana Sociedades resolvem seus conflitos com guerras, matando incl

Nações Ricas, Guerras Mecânicas
Nações ricas enviam máquinas. Os pobres ainda enviam suas pessoas.Nos últimos anos — e de forma ainda mais explícita nas propostas mais recentes da
Quarta-feira, 8 de abril de 2026 | Porto Velho (RO)