Porto Velho (RO) quarta-feira, 1 de abril de 2026
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Gente de Opinião

Lucio Albuquerque

Chutão vale. Driblar não?


 
Lúcio Albuquerque, repórter

 

Houve um tempo em que o futebol era bom de ver pelo show que alguns jogadores davam, como aquela seleção de 1958 quando o Brasil campeão apresentou ao mundo algumas novidades: o 4 2 4 de Feola; o gol de zagueiro do Nilton Santos; a “folha seca” do Didi; os dribles de Garrincha e Pelé. Há nos filmes das Copas de duas cenas antológicas.

Em 1948 quando a Suécia, na final, teve a infeliz idéia de meter 1x0 no Brasil. Lá do meio de campo saiu o Didi. Ele foi buscar a bola no fundo do gol, meteu a dita cuja debaixo do braço e dizendo (é possível ver pelos sinais) aos demais jogadores que ali quem mandava eram os brasileiros (apesar do jogo ser na Suécia). Foi andando até o meio de campo e aí o resto o mundo conhece: 5 x2 na Suécia.

Já em 1962 uma de cinco tchecos enfileirados e o Garrincha com as mãos nos quadris pronto para  driblar todos, e fez.

Naquele tempo futebol era mais cadenciado, mas depois do Brasil ganhar duas vezes o mundo descobriu que contra quem sabe jogar o jeito é dar chutão, pontapé e contar com essas arbitragens onde o homem do apito tem medo de punir.

Aí apareceu um lateral do Vasco, o “Coronel” e mostrou que era possível parar Garrincha dando patadas no joelho dele. Em 1966 o português Vicente, com a complacência do árbitro inglês McCobe, mandou Pelé para o hospital.

Chegou o tempo de duas pestes que enfeiam o futebol, o chutão e a porrada. Aí o futebol deixou de ser espetáculo e foi bem enquadrado naquela definição de que “apesar de criado por cavalheiros se transformou num esporte de bárbaros”.

         Pois bem: neste final de semana o Neymar achou de dar uma “lambreta” sobre um jogador na final do espanhol. Levou uma trombada e tem gente querendo comer o fígado dele – teve até quem comentasse por que ele não fez isso naquele 7x1. Simples: ele não jogou.

         E por que os críticos não gostaram do que Neymar fez? Simples: porque eles odeiam a arte, não gostam de quem faz as coisas bem e aderem a qualquer movimento que seja contra o que é bom. Eu prefiro a arte. Por isso entendo que no voleibol o mais importante não seja quem marque o ponto, mas o levantador, que coloca o atacante na condição de marcar. Gosto de ver o goleiro porque ele faz o anti-jogo sendo o único que joga com as mãos. Por isso que eu gosto do drible, porque é pura arte. O resto é inveja daqueles que não sabem fazer e preferem a porrada.

Ah! Ia esquecendo. Lembram que na camiseta da (antiga) União soviética tinham as letras CCCP? Pois é: significavam: “Cuidado Camaradas Com Pelé”

Por que não falei de Pelé no primeiro parágrafo? Ora, Em campo Pelé sempre foi hors concours.

Considere-se dito!

 
 

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