Segunda-feira, 27 de julho de 2020 - 09h48
Amazônida, filho da ferrovia. É assim que se define Simon Santos Oliveira, novamamoerense de Vila Murtinho, que em 1970, quando nasceu, ainda era município de Guajará-Mirim, se criou vendo e ouvindo o trem passar, resfolegando puxado pela sua “maria fumaça”, de um lado para o outro, e ouvindo as muitas estórias e as muitas histórias, contadas por índios velhos, seringueiros, catadores de castanha e outros personagens que recheiam de fatos e causos o Trem das Almas.
Em entrevista à professora Márcia Dias (*) Simon narra sua vivência com os fatos, mitos e lendas que inseriu em “Trem das Almas”. Ele diz: “Desde criança, convivi com excelentes contadores de histórias. Meus pais (Antônio e Safira), meu tio Chiquinho Leôncio, meus vizinhos Severino Inácio da Rocha e sua esposa Maria Inácio, e seu filho Mota Inácio da Rocha, entre tantos outros. A oralidade foi a porta por onde entrei neste mundo fértil e imaginativo dos contadores de história. Ficava extasiado com os personagens, cenários, alegorias, gestos e palavras que me conduziam a um mundo imaginário, mas também real. Muitas destas histórias tinham como pano de fundo os seringais, os castanhais, os índios, onças e as caçadas, todos de alguma forma conectados com a Estrada de Ferro Madeira Mamoré. Todo esse painel está indelevelmente grudado à minha escrita”.
A narrativa e os personagens de Simon estão em três estações da ferrovia, Vila Murtinho, onde nasceu e se criou; a vila do Iata e a grande cidade da região, Guajará-Mirim. Nelas Simon fincou os pés no visgo das lendas e mistérios da estrada de ferro, o que gerou nele o amor maior pelo que viu, apesar de pouco ter visto, porque aos dois anos de nascido, a estrada que Manoel Rodrigues Ferreira cunhou de “Ferrovia do Diabo” deixou de existir.
O livro “Trem das Almas”, assinado pelo membro da Academia Guajaramirense de Letras, professor e Mestre em Ciências da Linguagem pela UNIR/Guajará-Mirim, é uma viagem no imaginário e na violência que permeou a disputa das terras naquela região, quando milhares de homens e suas famílias foram entrando, em busca do leite da seringueira, da castanha e outros produtos agrícolas que tinham bom mercado então.
Reunindo 17 contos, de modo ficcional – ou quem garante que a maioria seja mesmo ficção ou espelham uma realidade que muitos contavam até bem pouco tempo? – “Trem das Almas” é o tipo de livro de leitura fácil, narrando situações que os próprios historiadores destacam como fatos reais, como as incursões vingativas de índios contra seringueiros e de brancos contra índios; a imensa sucuri explodida por alguns norte-americanos; as desavenças familiares etc.
Um livro que deixa sempre a vontade do “quero mais” que, com certeza, Simon vai trazer em próxima narrativa, porque o universo amazônico e os fatos decorrentes da Madeira-Mamoré, com certeza, ainda há muito o que contar e que precisam, sem qualquer dúvida, que outros, como Simon, se lancem à divulgação que vai, também, preservar a história, os mitos e a grandeza do que foi a Madeira-Mamoré no contexto regional.
O livro pode ser adquirido direto com o autor no zap 9 9286 3377.
(*) https://professoramarciadias.blogspot.com/2020/06/entrevista-com-autor-da-obra-o-trem-das.html?m=1
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