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Montezuma Cruz

Amazônia terá 30 milhões de habitantes até 2020


BRASÍLIA — A Amazônia Brasileira vai se urbanizar a passos largos a partir dos próximos três anos, com previsão de crescer dos atuais 25,84 milhões de habitantes para 29,79 milhões entre 2010 e 2020, e nesse último ano representará 13,6% da população total do País. A projeção foi feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Até lá será necessário diminuir o risco de atraso na consolidação do uso da biodiversidade da região, paralelamente ao controle da água já cobiçada por estrangeiros.
Em 2005, a densidade demográfica média na Amazônia manteve-se em 4,6 habitantes por quilômetro quadrado, relativamente baixa. Nesse período, a média brasileira alcançou 21,5 habitantes/Km2, assinala um relatório editado pelos ministérios do Planejamento, Meio Ambiente e Integração Regional, que serviu de base para a elaboração do Plano Amazônia Sustentável.
 
Distâncias
Atualmente estima-se que já tenha sido superado o percentual de 68%, alcançado em 2000, da população que habita vilas e cidades em conseqüência das migrações intrarregionais e rural-urbanas e ao crescimento vegetativo relativamente elevado.
A maioria da população regional urbaniza-se, o que favorece um mercado consumidor de massa para a indústria e para os produtos agropecuários e florestais. Se é significativa a população rural de quase sete milhões de habitantes na Amazônia Legal, o atendimento direto de necessidades sociais básicas desse contingente implica elevados custos, em função das distâncias.
Entre os estados, o Maranhão tinha a maior densidade populacional, com 18,3 Km2, e Roraima, a menor, com 1,8 habitante/ Km2. Segundo o IBGE, a distribuição territorial da população era ainda mais heterogênea quando se consideram os municípios com menos de 1 habitante/ Km2, especialmente na Amazônia Ocidental, e alguns deles com densidades superiores a mil habitantes/ Km2, em alguns municípios da Região Metropolitana de Belém.
 
Migração e integração sul-americana
Para onde vai a população excedente amazônica, sem espaço no mercado de trabalho, que se desloca em busca de inserção econômica e social? O governo aguarda resposta convincente. Pará e Rondônia, por exemplo, registram saltos migratórios negativos em pouco mais de uma década. Saldos migratórios positivos ocorreram, em uma década, nos estados de Roraima, Amapá e Mato Grosso.
Os dois primeiros constituíram pólos de atração para os migrantes do Pará e do Maranhão, analisa o relatório governamental. “Acordos internacionais poderiam ser melhor implementados, tanto os globais como as convenções internacionais sobre biodiversidade e clima, quanto os regionais, entre eles o Tratado de Cooperação Amazônica”, assinala o documento.
Os técnicos consideram forte a diferença entre os grandes centros urbanos rgionais (Belém, Manaus, Cuiabá e São Luís), as demais capitais regionais e outros centros regionais, entre eles Santarém, Marabá e Ji-Paraná.
Definitivamente, eles constataram que a urbanização acelerada, somada às deficiências das políticas públicas e dos investimentos relativos à ocupação do solo urbano, abastecimento de água, saneamento básico, gerenciamento de resíduos sólidos e criação de emprego colocou milhões de pessoas em habitações insalubres, tanto nas áreas metropolitanas quanto nas cidades e vilas.
Na Amazônia a salubridade, refletida na mortalidade infantil e na esperança de vida, em geral, é maior nas áreas rurais ou nas áreas mais remotas, onde há maior acesso a alimentos e água e menor nível de contaminação, embora os serviços de saúde sejam menos acessíveis.
 
 MONTEZUMA CRUZ 
 
 
 

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