Quarta-feira, 8 de outubro de 2008 - 10h39
Eleições são fenômenos impressionantes por permitir visões várias que serão dirimidas, de forma numérica, pelas urnas. Confesso que não acreditei que Kassab vencesse Alckmin, embora tenha estado em São Paulo e constatado que seu crescimento era muito grande. Acontece que fui vitima (e aqui também me ocorreu isto) do envolvimento com um evento do ex-candidato a presidente que, numa carreata na Avenida Paulista, foi extremamente bem recebido. Nesta eleição aprendi, e sempre se aprende, que, muitas vezes, a ovação não significa voto. David Chiquilito também foi muito bem recebido e aplaudido por pessoas que depois não votaram nele, seja por acreditarem, erroneamente, que é muito jovem ou por não ver nele a chance de ganhar.
Também percebi que Gilberto Kassab centrou sua campanha na comparação de sua gestão com a de Marta Suplicy. Como seu adversário direto era, aparentemente, Geraldo Alckmin, que o atacava fortemente, minha leitura foi a de que centrava fogo no lado errado. Quem errou fui eu em não ver que seu marketing era correto. E funcionou tanto que penso que nem ele apostava que funcionaria tanto. Seu sucesso o colocou como um dos fenômenos das eleições em todo o país.
A lógica de Kassab, porém, é perfeita. De fato centrou seu marketing nos temas locais e, com isto, deixou Alckmin de fora, na medida em que seu discurso é mais geral, nacional e colocou emoção na campanha polarizando a briga entre PT e DEM. Foi um achado com uma cerejinha no bolo: a classe média, grande garfada das políticas sociais, que tende a ficar contra o PT, aderiu com entusiasmo a sua estratégia. Porém, e tive oportunidade de constatar, também não descuidou de temas estratégicos para a periferia, como as ações de saúde e educação. Assim se apossou dos CEUs, uma marca registrada de Marta Suplicy, que tornou sua ao mostrar que melhorou o que havia. E criou sua diferença demonstrando que, na saúde, foi muito mais além. O resto a própria rejeição de Marta ajudou. O certo é que, ao comparar seu governo com o de Marta Suplicy, conseguiu um notável crescimento no final da campanha por conta de seus acertos administrativos.
È claro que isto não garante sua vitória no 2º turno, porém, será preciso errar muito para não ganhar porque, na prática, Marta não tem como empolgar os eleitores de Alckmin nem como desfazer a idéia já vendida de que seu governo foi pior e menos voltado para os interesses da população do que o de Kassab. Para tornar a tarefa mais fácil há o fato de que Marta conta com o apoio de Lula da Silva, rumo ao passado, enquanto Kassab terá como aliado José Serra, rumo ao futuro. É como desmontar montanha com picareta.
Fonte: Sílvio Persvio
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