Sexta-feira, 6 de maio de 2022 - 14h34
O Brasil só começa a funcionar após o carnaval e num
ano pós-pandêmico o carnaval enlouqueceu a política. Sem carnaval de verdade, a
política abriu o sanatório e os pirados lotaram os camarotes virtuais nas redes
sociais. Em lugar do desfile e do samba, o insulto e a mentira e em lugar da
alegria e do riso, as eleições.
-.-.-.-.-.-
1-A primeira escola de samba a sair foi a “Unidos de
um Homem Só”, que segundo dizem é mantida pela grana da “tchurma da quebrada” tendo
Daniel Silveira como puxador, mestre de bateria e autor do samba “Aperta que
ele geme”, uma alusão a um passado ditatorial que ele não viveu, mas que traz no
caráter.

Nas alas vão os que acreditaram na sua patuscada eleitoral
que começa com vitupérios, injúrias, difamação e que deveria ser tratada como
crime comum não tivesse ele o direito de emitir sua “opinião desastrada”, acobertado
pela imunidade parlamentar. Ocorre que um juiz da alta corte atravessou o samba
e se meteu numa camisa de onze varas e aí, talvez por não crer que o país vive apesar
dos pesares o “estado democrático de direito” sob a égide da lei, resolveu
arrogar a si as ofensas e as bravatas do Silveira, abrindo um discutível processo
com a supressão, no todo ou em parte, das instâncias de investigação,
julgamento e sentença. No fim do desfile Daniel aparece na cova dos leões com
uma tornozeleira na perna que lembra aquela bolas de ferro dos antigos condenados
nas masmorras.
-.-.-.-.-.-
2-A segunda escola de samba a entrar na avenida,
depois de brigar na concentração para sair à frente das outras, um estilo que a
escola mantém desde sua criação foi a Escola de Samba “Deixa Que Eu Faço”.

A cor verde oliva e as alegorias são a homenagem ao
patrono, presidente, tesoureiro, puxador, carnavalesco, mestre da batucada e mestre
sala que aliás executa durante uma paradinha da bateria uma difícil evolução
que lembra o passo de ganso. O tema do enredo e personagem são confusos e confundem,
mostrando a luta constante pelo poder, o enfrentamento contra monstros amazônicos,
o fogo na floresta, pandemia, inimigos dentro e fora do castelo e o pesadelo constante
com o molusco que aterroriza os sonhos do todo poderoso. Na parte final do desfile uma surpresa. O
destaque da escola de dentro de um cercado de quatro linhas faz o milagre de
resgatar um condenado, comprometendo o brilho, evolução e todo o desfile da
“Capa Preta”, próxima escola a desfilar e que como verão, terá que alterar de
forma arriscada para reduzir os danos frente ao público. “Joguei dentro das
quatro linhas talkey?”, disse o todo poderoso com um sorriso enigmático.
-.-.-.-.-.-
3-A terceira escola a sair é bem estruturada,
endinheirada e fortíssima, apesar de ser muito pouco conhecida e não ter torcida.
A “Unidos da Capa Preta” fez muito sucesso em outros carnavais quando um novo
membro chegou tocando o terror com um samba que falava de mensalão e fez tremer
a república. Mas depois...

Formada por onze alas, cada uma traz um enredo
diferente em que a letra é feita numa língua estranha, sem rima, com citações
em latim, francês, alemão e inglês. Os enredos normalmente são difíceis de entender
e de aceitar, até para quem é sambista de direito. Desta vez a escola juntou os
onze enredos para um desfile de olho nas duas escolas anteriores. A ideia era
focar na escola do “Homem Só” e através de efeito cascata derrubar a “Deixa que
eu Faço”. Foi um erro estratégico. Uma casca de banana que estava posta na
passarela fez a “Capa Preta” escorregar e o que seria o apogeu deu errado. O condenado
a mais de 8 anos cumpriu sua sentença em tempo recorde – algumas horas – e acabou
salvo da degola por um indulto do “todo poderoso”. Aí o carnaval virou
política. O condenado ficou livre, leve e solto, “pero no mucho”. É que já na
dispersão a cabeça brilhante que organizou o final do desfile e sem dar bola
para o indulto ou talvez esquecendo o que isso quer dizer, determinou mais 60
dias de investigações sobre o crime prescrito e tascou uma multa feroz na conta
do infeliz. O resultado do desfile como se vê será decidido no tapetão e se não
der samba, talvez dê marchinha de carnaval. Ou seja, tem mais disso aí, ainda
que não tenha mais carnaval.
-.-.-.-.-.-
E por falar em marchinha fecho o desfile com este
fato: o ministro da Defesa pediu ao TSE que é parte do debate sobre urna
eleitoral quer publicidade ampla das propostas pelas Forças Armadas para a
segurança, o aprimoramento e a transparência das eleições. E aí? Política
carnavalesca ou carnaval politizado?
Contato - leoladeia@hotmail.com
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