Porto Velho (RO) quinta-feira, 2 de abril de 2026
opsfasdfas
×
Gente de Opinião

Leo Ladeia

POLÍTICA & MURUPI - O sanatório geral saiu na Avenida Brasil


O Brasil só começa a funcionar após o carnaval e num ano pós-pandêmico o carnaval enlouqueceu a política. Sem carnaval de verdade, a política abriu o sanatório e os pirados lotaram os camarotes virtuais nas redes sociais. Em lugar do desfile e do samba, o insulto e a mentira e em lugar da alegria e do riso, as eleições.

-.-.-.-.-.-

1-A primeira escola de samba a sair foi a “Unidos de um Homem Só”, que segundo dizem é mantida pela grana da “tchurma da quebrada” tendo Daniel Silveira como puxador, mestre de bateria e autor do samba “Aperta que ele geme”, uma alusão a um passado ditatorial que ele não viveu, mas que traz no caráter.

POLÍTICA & MURUPI - O sanatório geral saiu na Avenida Brasil - Gente de Opinião

Nas alas vão os que acreditaram na sua patuscada eleitoral que começa com vitupérios, injúrias, difamação e que deveria ser tratada como crime comum não tivesse ele o direito de emitir sua “opinião desastrada”, acobertado pela imunidade parlamentar. Ocorre que um juiz da alta corte atravessou o samba e se meteu numa camisa de onze varas e aí, talvez por não crer que o país vive apesar dos pesares o “estado democrático de direito” sob a égide da lei, resolveu arrogar a si as ofensas e as bravatas do Silveira, abrindo um discutível processo com a supressão, no todo ou em parte, das instâncias de investigação, julgamento e sentença. No fim do desfile Daniel aparece na cova dos leões com uma tornozeleira na perna que lembra aquela bolas de ferro dos antigos condenados nas masmorras.

-.-.-.-.-.-

2-A segunda escola de samba a entrar na avenida, depois de brigar na concentração para sair à frente das outras, um estilo que a escola mantém desde sua criação foi a Escola de Samba “Deixa Que Eu Faço”. 

POLÍTICA & MURUPI - O sanatório geral saiu na Avenida Brasil - Gente de Opinião

A cor verde oliva e as alegorias são a homenagem ao patrono, presidente, tesoureiro, puxador, carnavalesco, mestre da batucada e mestre sala que aliás executa durante uma paradinha da bateria uma difícil evolução que lembra o passo de ganso. O tema do enredo e personagem são confusos e confundem, mostrando a luta constante pelo poder, o enfrentamento contra monstros amazônicos, o fogo na floresta, pandemia, inimigos dentro e fora do castelo e o pesadelo constante com o molusco que aterroriza os sonhos do todo poderoso.  Na parte final do desfile uma surpresa. O destaque da escola de dentro de um cercado de quatro linhas faz o milagre de resgatar um condenado, comprometendo o brilho, evolução e todo o desfile da “Capa Preta”, próxima escola a desfilar e que como verão, terá que alterar de forma arriscada para reduzir os danos frente ao público. “Joguei dentro das quatro linhas talkey?”, disse o todo poderoso com um sorriso enigmático.  

-.-.-.-.-.-

3-A terceira escola a sair é bem estruturada, endinheirada e fortíssima, apesar de ser muito pouco conhecida e não ter torcida. A “Unidos da Capa Preta” fez muito sucesso em outros carnavais quando um novo membro chegou tocando o terror com um samba que falava de mensalão e fez tremer a república. Mas depois...  

POLÍTICA & MURUPI - O sanatório geral saiu na Avenida Brasil - Gente de Opinião

Formada por onze alas, cada uma traz um enredo diferente em que a letra é feita numa língua estranha, sem rima, com citações em latim, francês, alemão e inglês. Os enredos normalmente são difíceis de entender e de aceitar, até para quem é sambista de direito. Desta vez a escola juntou os onze enredos para um desfile de olho nas duas escolas anteriores. A ideia era focar na escola do “Homem Só” e através de efeito cascata derrubar a “Deixa que eu Faço”. Foi um erro estratégico. Uma casca de banana que estava posta na passarela fez a “Capa Preta” escorregar e o que seria o apogeu deu errado. O condenado a mais de 8 anos cumpriu sua sentença em tempo recorde – algumas horas – e acabou salvo da degola por um indulto do “todo poderoso”. Aí o carnaval virou política. O condenado ficou livre, leve e solto, “pero no mucho”. É que já na dispersão a cabeça brilhante que organizou o final do desfile e sem dar bola para o indulto ou talvez esquecendo o que isso quer dizer, determinou mais 60 dias de investigações sobre o crime prescrito e tascou uma multa feroz na conta do infeliz. O resultado do desfile como se vê será decidido no tapetão e se não der samba, talvez dê marchinha de carnaval. Ou seja, tem mais disso aí, ainda que não tenha mais carnaval.

-.-.-.-.-.-

E por falar em marchinha fecho o desfile com este fato: o ministro da Defesa pediu ao TSE que é parte do debate sobre urna eleitoral quer publicidade ampla das propostas pelas Forças Armadas para a segurança, o aprimoramento e a transparência das eleições. E aí? Política carnavalesca ou carnaval politizado?

Contato - leoladeia@hotmail.com

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

Gente de OpiniãoQuinta-feira, 2 de abril de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Brasil: passado incerto, futuro imprevisível

Brasil: passado incerto, futuro imprevisível

Dia de falar de ditaduras. A militar e a da toga, as duas indefensáveis. Disse Pedro Malan: “até o passado do Brasil é incerto”. O “gigante pela pró

60% ou 6 em cada 10 não confiam no STF

60% ou 6 em cada 10 não confiam no STF

Boa parte dos Institutos de pesquisas nacionais integram o consórcio que moldou a democracia relativa. Pagando bem, seja cliente de direita ou esque

Credo brazuka

Credo brazuka

Creio em Deus Pai, Filho, Espírito Santo, em Lula, no irmão Frei Chico, aliás como não crer com esse nome de frei? Creio em Lulinha, na família e na

BolsoMaster: O risível “contragópi” do Bozo

BolsoMaster: O risível “contragópi” do Bozo

aulo Pimenta, dublê de ministro e marqueteiro do PT mudou o nome BolsoMaster para fugir do Mastergate que não emplacou e no velho estilo burraldo, a

Gente de Opinião Quinta-feira, 2 de abril de 2026 | Porto Velho (RO)