Terça-feira, 13 de janeiro de 2026 - 12h20

O passado é um baú cheio
de novidades. No Brasil, establishment não é conceito acadêmico neutro, mas um pacto
informal de sobrevivência do grupo de quem não perde nunca, a fina flor da
baixa canalha, de políticos com e sem voto, da imprensa amestrada, partidos sem
programa, empresas pendurados nas tetas do erário, Judiciário caótico, burocracia
viciada e parte da elite intelectual de araque. Mudam presidentes, falas, mas
os caciques são os mesmos. Abro o baú e salta a esperada vitória contra a
ditadura dos milicos que deu um Globo de Ouro ao excelente ator Wagner Moura e
sigo em frente. Desde a redemocratização o Brasil tem o sistema em que pelo
voto se escolhe o chefe da boca, gerente do morro e não o dono do poder. O sistema
não teme a democracia, ele a domina para que funcione como a garantia da
existência do acordo silencioso no clube dos vencedores de sempre.
1.1- Origem e a eclosão do ovo da
serpente

A análise é bem chã, mas o establishment é como o
pedrisco no tênis de quem iria correr a maratona parlamentarista e perdeu na
largada para o presidencialismo. A Carta de 1988 adubou o terreno para o
fisiologismo e criando ou ampliando direitos abriu as vias para a captura o
Estado pelo que havia de pior à época. Sem travas efetivas, o multipartidarismo
estruturou o tal presidencialismo de coalizão e fez do Congresso uma banca de
barganhas. FHC governou com o Centrão, Lula adotou o Centrão, Dilma tentou encará-lo
e foi engolida e Michel Temer, oriundo do núcleo fisiológico ofendido depois
que Dilma o chamou de “vice-presidente decorativo” foi ao paroxismo, empinou a
carroça e o resto vocês sabem. A promessa republicana deu lugar à lógica franciscana
e governar virou sinônimo de ceder. Cedeu uma vez e virou freguês ou seria o
revival Dilma e Lula. Aceito o Bolsonaro hora de colocar o cabresto e como não
deu certo, Lula de novo para tomar a eleição. Bolsonaro não morre, o “sistema é
“f*da”, o jogo é bruto e agora é dependência ou morte”!
1.1- Centrão, o lupanar brazuka

Sigo na linha do tempo: Em Maluf,
ACM e outros proxenetas está o DNA da velha política que herdou o pior do
Brasil em termos de corrupção e que foi aos poucos burilada pelos que vieram e viram
que o poder real está no controle do orçamento, das estruturas do Estado e não no
debate político e público. Tal cultura atravessou décadas sobrevivendo incólume
à alternância partidária. MDB, PP, PL e similares se tornaram “base de apoio”
ou “legendas de apoio institucional”. FHC os chamava de “necessários”, Lula de
“aliados”, Temer os liderava caçando e dividindo o butim. “É preciso manter
isso”, lembram-se? Por que governar se já tem a chave do cofre? Roubo prescinde
de ideologia e o sistema conhecido ou o escondido na Faria Lima promoverão a
cizânia. É a luta do nós contra eles,ricos contra pobres, nordestinos contra
sulistas direita contra esquerda e no fim da democrática contenda alguém
apoiado pelo Centrão erguerá a Taça e parte do eleitorado gritará “é
campeão...!”
1.1- A simbiose: a patifaria e suas
consequências

Simbiose é uma relação estreita e duradoura entre
duas espécies diferentes como uma empresa particular e o poder político. Nenhum
establishment sobrevive sem o financiamento. No Brasil, OAS, Odebrecht e
Andrade Gutierrez dentre tantas, são o símbolo do capitalismo de compadrio, da criação
de projetos espetaculares por empresas que os apresentavam e eram aceitos para
serem financiados pelo governo dividindo contratos, pagando propina e pixulecos
em relações promíscuas com o estado. E nada a ver com ideologia, pois a
operação abrangia MDB, PSDB, PT, diálogos com Foro São Paulo no plano retórico
e até com o mercado no plano prático. Mensalão e petrolão não foram acidentes,
mas consequências. Empresas pagavam as caras campanhas eleitorais e se
ressarciam do Estado depois. Uma invenção brazuka, convenhamos, “dubaráio”. Quando a patifaria do esquema,
veio à tona, o establishment que já havia adotado o nome de sistema, reagiu,
relativizou, atacou investigadores e tratou o colapso moral como sendo um
“excesso de zelo”.
1.1- Por que não pensar no futuro e
nas nossas mazelas?

Por que alguns países mudaram? Chile, Coreia do Sul,
Portugal fizeram reformas institucionais profundas após crises políticas, reduziram
a grande fragmentação partidária, profissionalizaram o Estado, limitaram a
captura do orçamento pelos interesses privados, mas aqui foi o oposto. As
crises fortaleceram o establishment. O impeachment de Dilma poderia, mas não
reformou o sistema que caiu nas mãos do Temer. A indignação popular não
enfraqueceu o Centrão, ao contrário, atiçou a voracidade sobre o erário. Países
com democracias estáveis tratam corrupção e fisiologismo como desvios para
correção, mas no Brasil se transformaram no mito da governabilidade como método.
O saldo é a mediocridade política, o crescimento baixo, a descrença internacional
e sabemos que o problema central não é falta de alternância, recursos ou
talento nacional. O sistema é resiliente, vive e sobrevive a escândalos, crises
e eleições porque é o controller. E enquanto o Centrão seguir como fiel da
balança e o Estado continuar sendo moeda de troca, a democracia brazuka será a
“democracinha” de caros poderes imorais, indecentes, harmônicos, faraônicos,
co-dependentes, corruptos que existem mais em abusos, em leniência, tolerância,
tramoias e mais no papel do que na vida real. E nós para onde vamos?
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