Sexta-feira, 13 de março de 2026 - 11h40

Em
uma reviravolta que remodela o tabuleiro geopolítico global, os Estados Unidos
emergem de um primeiro trimestre de 2026 não apenas como potência militar, mas
como o grande arquiteto de uma nova ordem energética. A captura de Nicolás
Maduro em Caracas, em janeiro, seguida pela ofensiva militar que vitimou o
líder supremo do Irã, Ali Khamenei, no final de fevereiro, consolidaram um
movimento duplo que especialistas já comparam ao impacto da queda do Muro de
Berlim . Mais do que uma sucessão de vitórias táticas, Washington conseguiu o
que décadas de sanções não haviam proporcionado: o controle efetivo sobre duas
das maiores reservas de petróleo do planeta e a neutralização das principais
rotas de estrangulamento energético.
O
Legado Venezuelano: O Petróleo como Butim de Guerra
A
operação relâmpago que resultou na captura de Maduro, no dia 3 de janeiro, foi
apenas o primeiro ato de uma estratégia mais ampla . Para os EUA, o legado
imediato da tomada territorial (ainda que indireta) da Venezuela é a garantia de
segurança energética diante de um cenário de conflito global. O país detém as
maiores reservas de petróleo do mundo, e, com a nova administração interina de
Delcy Rodríguez, Washington garantiu o que Donald Trump chamou de
"controle total" sobre a comercialização do crude.
Na
prática, o acordo bilateral firmado entre a Casa Branca e a nova presidente
venezuelana funciona como um "seguro" geopolítico. Os EUA passaram a
gerir diretamente um montante de 30 a 50 milhões de barris de petróleo, cujas
receitas são controladas pelo Tesouro americano para "beneficiar os
povos" . O primeiro repasse de 300 milhões de dólares, realizado em
janeiro, já abastece os cofres venezuelanos, mas sob rígida supervisão ianque.
Analistas
apontam que a tomada de influência sobre a PDVSA (a estatal venezuelana) não é
apenas econômica, mas estratégica. Em um cenário de guerra no Oriente Médio, a
Venezuela funciona como uma retaguarda: caso o Estreito de Ormuz fosse fechado,
os EUA poderiam contar com o óleo pesado venezuelano para abastecer suas
refinarias do Golfo, evitando um colapso nos preços internos . Trata-se de um
movimento preventivo que transforma Caracas em um "ativo" americano,
e não mais em uma base de influência iraniana na América do Sul.
A
Queda do Irã e o Controle das Rotas
Se
a Venezuela foi a peça defensiva, o Irã representa o xeque-mate ofensivo. A
ofensiva coordenada entre EUA e Israel, que eliminou Khamenei e degradou
significativamente a infraestrutura de mísseis e a marinha iraniana, alterou
drasticamente o equilíbrio de poder no Golfo Pérsico. Sem capacidade de reação
bélica organizada, o Irã viu seu principal trunfo — a ameaça de fechamento do
Estreito de Ormuz — perder parte de seu efeito dissuasório.
Com
Teerã neutralizada, as principais rotas de escoamento do petróleo do Oriente
Médio, por onde passa cerca de um quinto do petróleo global, ficam mais seguras
sob a ótica ocidental. A queda do regime aiatolá não apenas removeu um rival
declarado de Israel e dos EUA, mas também abriu caminho para uma reconfiguração
dos acordos de fornecimento na região. O modelo aplicado na Venezuela — o
chamado "Chevron model", onde empresas americanas operam com
participação majoritária do estado local, mas controle de gestão e
comercialização estrangeiro — é visto como o possível norte para um futuro Irã
pós-revolução.
Os
Novos Rumos Geopolíticos
O
cenário que se desenha é o de uma hegemonia energética bipolar: de um lado, os
EUA e seus novos satélites petrolíferos (Venezuela e um potencial Irã
reconstruído); do outro, Rússia e China, que perdem importantes aliados e
compradores privilegiados. Para Pequim, que era o maior comprador do petróleo
iraniano e venezuelano, o movimento americano representa um duro golpe
logístico, forçando uma dependência ainda maior das rotas controladas por
Washington ou de oleodutos russos.
Além
disso, a doutrina internacional parece estar migrando definitivamente do
"direito internacional" para o "paradigma da força", como
alertou o diplomata iraniano Kazem Jalali . O uso da captura de líderes (como
Maduro) e da desarticulação cirúrgica de estados (como no Irã) como ferramenta
de política externa cria um novo precedente: a soberania nacional tornou-se um
conceito negociável diante da segurança energética das superpotências.
A
curto prazo, o legado para os EUA é a capacidade de ditar os preços do petróleo
e garantir o abastecimento de seus aliados sem a interferência de eixos de
resistência. A médio prazo, no entanto, a administração Trump enfrenta o
desafio de "gerir" esses regimes sem ocupar territórios, evitando que
a instabilidade crônica venezuelana ou o ódio arraigado da população iraniana
se transformem em novos focos de conflito assimétrico . Por ora, a balança do
poder pende para o Ocidente, e o petróleo, mais uma vez, é a moeda dessa nova
ordem.
Referências
AGÊNCIA TASS. US
disregards national sovereignty of Iran, Venezuela Iranian diplomat. Moscou, 26
jan. 2026. Disponível em: https://tass.com/world/2077005.Acesso em:
12 mar. 2026.
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2026. Disponível em: https://www.upi.com/Top_News/World-News/2026/01/21/latam-venezuela-oil-revenue-united-states/9301769009853/.Acesso
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Disponível em: https://www.nytimes.com/2026/03/11/us/politics/trump-sanctions-iran-venezuela.html.Acesso
em: 12 mar. 2026.
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NEWSMAX. Ted Cruz: Regime Collapse in Iran, Venezuela,
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em: 12 mar. 2026.
TIMES NOW. How The US And Iran 'Terribly
Miscalculated' This War. 10 mar. 2026. Disponível em: https://www.timesnownews.com/world/middle-east/us-iran-war-miscalculation-middle-east-conflict-donald-trump-mojtaba-khamenei-article-153797226.Acesso
em: 12 mar. 2026.
THE NEW ARAB. We know Trump’s endgame. But what is
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em: 12 mar. 2026.
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